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BOGOTÁ - Um grupo de representantes da sociedade civil da Colômbia pediu na terça-feira à guerrilha Farc que fixe as condições para negociar um acordo que permita a libertação de 22 reféns militares e que seja um preâmbulo para negociações de paz com o governo.
O apelo foi feito por meio de uma carta dirigida a Alfonso Cano, máximo comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assinada pelo grupo 'Colombianas e Colombianos pela Paz', dirigido pela senadora Piedad Córdoba, que em fevereiro recebeu na selva seis reféns libertados unilateralmente pela guerrilha.
- É indispensável precisar com urgência o marco dentro do qual se poderia adiantar esse acordo, estabelecendo as circunstâncias de tempo, modo e lugar, de tal maneira que possamos contribuir com a sua pronta realização - disse a carta.
- A nosso ver, tal mecanismo deve dar início à busca de alternativas para o término do conflito. Esse acordo, além do intercâmbio, deve permitir negociações políticas que conduzam à obtenção da paz, como aspiração suprema da sociedade - disse.
As Farc mantêm como reféns militares capturados em combates e pretendem trocá-los por cerca de 500 guerrilheiros presos. No entanto, posições radicais dos rebeldes e do governo nos últimos anos impedem até mesmo o começo de qualquer negociação.
Inicialmente, o grupo exigia a desmilitarização de uma área de 780 quilômetros na selva do país, exigência que foi reiteradamente rejeitada pelo governo e não tem sido citada nos últimos comunicados da guerrilha, o que foi interpretado por analistas como sinal de flexibilidade.
Os representantes da sociedade civil perguntaram novamente à guerrilha se ela não estaria disposta a suspender os sequestros, que desprestigiaram o grupo em nível internacional. Além dos militares, as Farc mantêm centenas de pessoas sequestradas para fins econômicos.
Em carta enviada às Farc no final de 2008, o grupo fazia a mesma pergunta e, embora não tenha recebido resposta, posteriormente ocorreu a libertação unilateral de seis reféns.
- Reiteramos nossa inquietação acerca de se as Farc estão dispostas a excluir do conflito armado o sequestro como arma de luta - disse a carta.
A Colômbia vive um conflito interno de mais de quatro décadas, que deixa milhares de mortos por ano.
20:44 - 03/03/2009