Flávio Dilascio, JB Online
RIO DE JANEIRO - Tão criticada neste início de temporada, a arbitragem carioca está prestes a entrar num período de revolução. Pelo menos no que diz respeito à preparação física dos árbitros, algo de elevada importância, visto que o futebol está cada vez mais corrido e desgastante e um bom condicionamento físico é pré-requisito básico da profissão. Desde as semifinais da Taça Guanabara, vem sendo feito um estudo científico através da utilização de um moderno equipamento de GPS portátil (Polar RS800CX G3), onde estão sendo registrados, momento a momento, todos os deslocamentos dos árbitros durante as partidas, indicando o traçado percorrido ao longo do jogo, a distância total percorrida, as velocidades instantâneas, dentre outros parâmetros.
Até o momento, foram estudados os árbitros das semifinais e finais da Taça Guanabara e Troféu Moisés Mathias de Andrade. Por ser o estádio mais usado no Carioca, o Maracanã foi tomado como parâmetro para o estudo.

O projeto tem por meta chegar ao conhecimento da demanda fisiológica média dos árbitros durante a partida, melhornado assim o treinamento dos mesmos. O estudo é inédito no Brasil e foi criado pelo fisiologista e cientista do esporte, Pedro Pereira, que apresentou o projeto à Comissão de Arbitragem, de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (COAFERJ), que prontamente aprovou.
- Não conheço nenhum trabalho feito neste sentido no Brasil. Aqui em nosso país, aliás, não existem estudos aprofundados sobre a capacidade física dos árbitros – afirmou Pedro, que também é doutorando em Fisiologia pela UFRJ.
O aparelho será utilizado pelos árbitros que apitarem no Maracanã até o final do Carioca. Ao término deste período, a COAFERJ poderá desenvolver melhores programas de treinamento para os juizes, o que deverá contribuir, e muito, para elevar o nível da arbitragem brasileira.
- Sem dúvida, nossa intenção é melhorar a preparação física dos árbitros. Nunca vi uma análise como esta em outros países. Lá, as análises são feitas mais em vídeos, não em dispositivos GPS – destacou o fisiologista.

O dispositivo usado nos jogos do Carioca foi criado em dezembro pela empresa finlandesa Polar e é feito em forma de braçadeira. Diferentemente de estudos prévios realizados no Brasil e exterior, os quais foram conduzidos por análise manual de movimentos registrados em vídeo, a metodologia de GPS proporciona maior precisão, pela ausência de interferência humana na identificação dos movimentos, além do maior dinamismo na extração dos resultados.
- A cada segundo, ele pega uma amostra de dados, o que nos permite fazer um diagnóstico preciso dos movimentos – explicou Pedro.
O dispositivo, porém, não é adaptado às condições climáticas, fator determinante para a variação de gasto energético. Contudo, estes aspectos são analisados manualmente, antes de se chegar ao resultado final do desempenho de um árbitro.
Caso o projeto realmente faça sucesso, Pedro estuda a possibilidade de apresentá-lo à Comissão Nacional de Arbitragem.
- Quando criei o projeto, não tinha perspectiva nesse sentido, mas sempre há uma possibilidade – garantiu.
18:57 - 03/03/2009