Monteiro Neto admitiu que mudar o sistema tributário é uma tarefa complexa em sociedades democráticas, mas lembrou que os países da Europa Central conseguiram promover reformas que adequaram sistemas arcaicos a padrões internacionais. 'Nossas especificidades não podem nos levar ao imobilismo. Devemos extrair lições da experiência internacional', recomendou.
Segundo o presidente da CNI, o sistema tributário brasileiro é anacrônico e não atende às atuais necessidades da economia brasileira e mundial. 'O fato é que não falamos a mesma linguagem tributária do restante do mundo, o que nos acarreta enorme custo: menos crescimento e menos emprego.' Relatório da OCDE feito em 2001 afirma que, apesar de todas as mudanças no cenário econômico e social, o sistema tributário brasileiro em vigor naquele ano era praticamente igual ao de 1967. Tal sistema se mantém ainda hoje. Por isso, avaliou Monteiro Neto, o país não pode desperdiçar essa oportunidade de promover a reforma tributária.
Ele disse que o texto em tramitação no Congresso contém avanços importantes na área de desoneração dos investimentos e das exportações. 'Aqui não é possível recuar: é imprescindível, inclusive, imprimir maior velocidade no cronograma de transição do processo.' Outro ponto positivo da reforma é a desoneração da folha de salários, a substituição de alguns tributos pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) federal e a unificação e simplificação da legislação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A reforma em discussão também dá maior segurança aos contribuintes.
O projeto, no entanto, precisa ser aperfeiçoado. Entre os pontos que devem ser revistos, destacou o presidente da CNI, estão a maior agilidade nos mecanismos de utilização dos créditos tributários e a criação de regras que impeçam o aumento da carga tributária e a criação de impostos. 'O mais importante é garantir que a reforma não seja janela para a elevação da carga tributária', disse. Ele acredita que as mudanças necessárias podem ser feitas durante as discussões do projeto no Congresso.
Monteiro Neto admitiu que a implementação da reforma não será imediata. 'Há períodos de transição bem estabelecidos que podem reduzir os riscos.' Para o presidente da CNI, o grande desafio, nesse momento de crise, é encurtar os prazos das medidas que têm potencial para aumentar a competitividade do Brasil.
Participam do seminário na sede da CNI, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), o primeiro vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), e os deputados Sandro Mabel (PR-GO), relator da reforma tributária, e Antonio Palocci (PT-SP), presidente da Comissão Especial da Reforma Tributária da Câmara dos Deputados.
(Redação - InvestNews)
18:10 - 03/03/2009