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Esportes

Conquista do Botafogo consagra "herança bendita" de Cuca

Dassler Marques, Portal Terra

RIO DE JANEIRO - A busca por um grande título ainda persegue Cuca. Com 11 anos na carreira, o atual treinador do Flamengo conseguiu, no que foi o auge de sua carreira, conquistar um dos turnos do Campeonato Carioca - as Taças Rio de 2007 e 2008. A Taça Guanabara conquistada pelo Botafogo no último domingo, porém, reforça uma marca do treinador paranaense: mais uma vez, depois de Goiás e São Paulo, ele comprova ter deixado bons legados, ainda que nenhuma taça.

Por São Paulo, Goiás e Botafogo, clubes em que teve passagens mais longas e consistentes, Cuca plantou estratégias de trabalho que deram frutos logo após sua saída.

O legado do treinador, entre outras coisas, passa pela montagem de elenco, trabalho tático e a formação de ambientes harmoniosos. Curiosamente, pilares em que seu comando no Flamengo ainda se mostra deficitário.

– Sou muito grato ao Cuca. Ele resgatou para a torcida botafoguense o que a gente tinha perdido alguns anos antes da vinda do Bebeto (de Freitas, ex-presidente), que era participar de finais com times competitivos, disputando campeonatos com condições de sermos campeões. Faz muito bem para o clube respirar o ar de uma decisão – avalia Maurício Assumpção, atual presidente do Botafogo.

Em General Severiano, Cuca conseguiu montar equipes fortes com baixos orçamentos. Jogadores como Jorge Henrique, Leandro Guerreiro, Renato Silva, André Lima, Joílson e Juninho, por exemplo, foram nomes pinçados pelo treinador e que deram certo com a camisa botafoguense, ainda que tenham sido contratações modestas.

Com essa base, o Botafogo foi duas vezes vice-campeão carioca, chegou à semifinal da Copa do Brasil em 2008 e liderou o Campeonato Brasileiro de 2007 por 13 rodadas. Uma realidade bem diferente para quem se acostumou a brigar contra rebaixamentos e jogou a Série B em 2003.

O fato de alguns dos jogadores não darem certo em seus clubes seguintes, aliás, denota que o conjunto da equipe com Cuca era mais forte que propriamente o valor individual dos jogadores. Joílson, Juninho e André Lima, por exemplo, não se afirmaram pelo São Paulo. Túlio, no Corinthians, já deixou de constar entre as primeiras opções de Mano Menezes e Diguinho ainda não repete o mesmo futebol no Fluminense.

De certa forma, o trabalho foi ampliado por Ney Franco, que teve a missão de montar uma equipe nova e campeã para 2009, mesmo com um orçamento para a folha salarial de cerca de R$ 1,2 milhão, R$ 500 mil a menos que o de 2008.

– Essa é uma forma que o próprio Ney Franco gosta de trabalhar e sabe trabalhar, também por ter tido experiência em divisões de base. E tem feito agora da mesma forma, com esse mesmo estilo. E surgem, por exemplo, Fahel, Léo Silva e Maicosuel – compara Assumpção.

Montar uma equipe forte sem jogadores de tanto nome, diga-se de passagem, foi característica do trabalho de Cuca no São Paulo, realizado ao longo da temporada 2004.

Ao contrário do que se diz, o treinador não indicou a trinca de reforços (Danilo, Fabão e Grafite) que veio do Goiás, clube que dirigia antes de desembarcar no Morumbi, mas tem sua passagem pela equipe tricolor até hoje lembrada como importante para o título da Libertadores e do Mundial de Clubes no ano seguinte.

– Foram negócios acertados antes da vinda dele e eram jogadores de consenso, assim como o Josué, que veio do Goiás em 2005. Os três zagueiros, por exemplo, ele instituiu. E foi um padrão que adotamos. Ele montou um time com padrão tático, ofensivo e de futebol bonito – avalia Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo.

No clube do Morumbi, Cuca caiu nas quartas-de-final do Campeonato Paulista, mas levou a equipe de Cicinho, Grafite e Luís Fabiano até as semifinais da Copa Libertadores, quando foi eliminado pelo campeão Once Caldas com um gol nos acréscimos.

A pressão sobre o treinador foi muito grande após a eliminação, embora o São Paulo não jogasse o torneio desde 1994, e sua saída foi concretizada antes mesmo do fim da temporada, abrindo caminho para a chegada de Emerson Leão.

– Foi um trabalho muito importante e bem feito, na nossa volta para a Libertadores. Cuca é um treinador honesto e excelente – afirma Marco Aurélio. Entre os 11 titulares que venceram o Liverpool na decisão do Mundial de Clubes, sete trabalharam com Cuca em sua passagem pelo São Paulo em 2004.

Outro clube a ter vivido bons dias após um trabalho de Cuca foi o Goiás. Na Serrinha, o treinador teve um trabalho de tiro curto, mas tirou a equipe da zona de rebaixamento, teve o melhor aproveitamento do segundo turno e ainda terminou o ano com a classificação na Copa Sul-Americana, jogando com três atacantes: Grafite, Dimba e Araújo, além de Danilo na meia.

A passagem pelo Goiás deixou bons fluídos. Nos dois anos seguintes, o clube terminou o Campeonato Brasileiro na sexta e na terceira posição, podendo disputar, em 2006, a Copa Libertadores pela primeira vez em sua história. Mais uma semente plantada por Cuca, que se ainda não tem títulos, pode dizer que deixou boas heranças para seus sucessores.

17:39 - 03/03/2009










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