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Internacional

Cuba passa por profunda reestruturação do governo

Jornal do Brasil

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS - O governo do presidente cubano Raúl Castro substituiu membros do alto gabinete, incluindo os ministros do Exterior, Felipe Perez Roque, Economia, Jose Luis Rodriguez, e o vice-presidente do país, Carlos Lage. O Conselho de Estado, órgão supremo do poder cubano, também anunciou outras 10 mudanças para altos cargos, em uma profunda reestruturação do governo.

Lage, de 57 anos, foi um dos responsáveis por salvar a economia cubana após uma série de mudanças depois do colapso da União Soviética. Ele é um dos cinco vice-presidentes abaixo de Raúl Castro e já trabalhou como primeiro-ministro. Conserva o cargo de vice-presidente do Conselho de Estado e vai ser substituído pelo general José Amado Ricardo Guerra.

Roque, de 43 anos, é ex-assessor pessoal de Fidel Castro. Ex-líder da organização jovem do Partido Comunista, Roque trabalhou como ministro das Relações Exteriores por quase uma década. O cargo de Roque vai ser preenchido pelo atual vice-ministro, Bruno Rodríguez.

Raúl prometeu por meses mudanças no governo da ilha para torná-lo mais responsável. Segundo nota oficial, a decisão de reduzir e reestruturar a administração do Estado foi tomada desde que Raúl assumiu à Presidência em 24 de fevereiro de 2008.

O Parlamento cubano elegeu Raúl Castro como presidente de Cuba, oficializando-o em um cargo que já ocupava de forma interina desde agosto de 2006, quando o então presidente e irmão de Raúl, Fidel, teve de abdicar do poder por razões de saúde. Raúl foi eleito com o apoio da maioria dos deputados e se cercou de homens de sua idade no governo, grande parte deles combatentes da frente de guerra que ele comandou em Sierra Maestra.

Logo após assumir a Presidência, o irmão de Fidel iniciou uma série de reformas na área econômica e no âmbito internacional que, com maiores ou menores resultados, vêm orientando seu plano de governo até o presente. Entretanto, o novo presidente teve de enfrentar situações adversas, como os furacões que arrasaram as colheitas e destruíram milhares de casas e a rede elétrica.

Mais perto dos EUA

A revista da Arquidiocese de Havana, Palabra Nueva, publicou nesta segunda um editorial em que ressalta a importância da retomada das relações entre Cuba e EUA e enfatiza também a necessidade de estabelecer um “diálogo nacional” entre os próprios habitantes da ilha.

No texto, que é assinado por seu diretor, Orlando Márquez, a revista propõe a superação do que define como uma guerra fria entre Washington e Havana, para promover relações em um contexto de mudanças. O artigo pede também que o diálogo bilateral seja desprovido de preconceitos históricos.

Para a publicação, o atual momento, com a chegada de Barack Obama à Casa Branca, oferece a possibilidade de impulsionar um possível reencontro entre duas nações. Márquez escreve ainda que “do lado de cá (de Cuba), a vontade para o diálogo não pode ser mais evidente, anunciada mais de uma vez pelo presidente Raúl Castro”.

O diretor da Palabra Nueva lembra os anúncios do presidente norte-americano sobre a possível eliminação de sanções contra Cuba, mas admite que, se nos Estados Unidos “Obama é ainda uma incógnita”, em seu país as dúvidas e expectativas que cercam seu governo se amplificam.

“Boa parte dos cubanos tem a expectativa de que a suposta mudança no modo de fazer política dentro dos EUA e, portanto, sua projeção no exterior, implique também uma mudança nas relações com Cuba”, enfatiza Márquez.

Nos EUA, o Congresso vota atualmente um projeto de lei que amplia os direitos dos americanos de origem cubana que queiram viajar à ilha para visitar parentes. Por outro lado, a comunidade internacional tem reforçado o pedido para que Washington retire o embargo que impõe à ilha desde a década de 1960.

00:45 - 03/03/2009










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