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Maicosuel celebra o fim da fase de banco

Fúlvio Melo, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Volta por cima. Ao ser apresentado em General Severiano no final do ano passado, o franzino Maicosuel foi visto com desconfiança pelos torcedores que se perguntavam como um reserva do Palmeiras poderia suprir a ausência do maestro Lucio Flavio, líder da equipe desde 2006. O título da Taça Guanabara faz o jogador passar a borracha nos tempos em que nem sequer era relacionado para o banco de Vanderlei Luxemburgo na equipe paulista.

– Tive a oportunidade de fazer uma pré-temporada e recuperar o futebol que jogava no Paraná. As pessoas do Botafogo e o Ney me deram muita confiança. Pude ter uma sequência e voltar a jogar bem – disse Maicosuel.

Sobre a final de domingo, o jogador revela como foi a preleção. Ou melhor: como não foi. Segundo o meia, bastou o aquecimento para sentir quem seria o campeão.

– Na roda de bobinho, todo mundo gritava para motivar. O Ney percebeu o brilho nos olhos de cada um e disse: ” Não tenho mais nada para falar com vocês – lembra.

Embora tenha marcado um gol e participado ativamente da vitória de 3 a 0 sobre o Resende, o jogador acredita que sua melhor partida foi a vitória sobre o Friburguense, ainda na primeira fase, em que repetiu o feito de sua estreia, marcando dois gols. Mas ele sabe que a taça de domingo valeu mais do que qualquer outro jogo da competição.

– Não foi a melhor a melhor atuação, mas foi a mais especial da minha carreira – frisou o atleta que foi absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva pela expulsão na partida contra o Friburguense, jogo em que manchou sua grande exibição ao receber cartão vermelho em uma discussão com um adversário.

Quase ida para o rival

A carreira de Maicosuel parece mesmo ter retomado o rumo. Do início no modesto Atlético Sorocaba, passando pelo ótimo desempenho no Paraná – onde Thiago Neves, era seu reserva – o jogador lembra que por pouco não foi parar na Gávea.

– Quase fui para o Flamengo, as negociações estavam bem adiantadas, mas não fechou. Talvez não estivesse hoje no Botafogo – relembra.

O bom campeonato pelo Paraná despertou o interesse do Cruzeiro, onde Maicosuel não teve muitas oportunidades. Adquirido pela empresa Traffic, o jogador foi emprestado para o Palmeiras, onde não caiu nas graças de Luxemburgo.

Pedida pelo técnico Cuca, em meados do ano passado, a transferência se confirmou apenas este ano. O jogador está emprestado ao Botafogo por cinco anos, com opção de compra no terceiro. Mas a cobiça europeia pode atrapalhar.

– Não descarto ir para Europa, mas tem que ser um negócio bom para o Botafogo e para mim. Acabei de chegar e é complicado falar disso – analisou. – Ainda não tenho minha independência financeira e brinco com a minha mulher que precisamos dar água para o nosso passarinho.

Pai coruja

Casado há seis anos com Mari, o jogador não escondia que desejava ser pai de um menino. Mas tudo mudou quando nasceu Eduarda, hoje com 1 ano e 8 meses.

– Minha vida se transformou. Eduarda e a Mari são tudo na minha vida.

Sua mulher afirma que o jogador é coruja até demais e às vezes toma bronca na hora de educar a pequenina.

– Ele é um pai nota mil, o problema é que diz sim para tudo que ela quer. Digo não, mas ele vai lá e diz sim– conta Mari.

Apesar da pouca idade, Eduarda já arrisca suas primeiras palavras. Por enquanto, só consegue falar papai.

– Maicosuel eu só vou ensinar ela a falar com uns quatro anos. É muito difícil – diverte-se a mãe.

22:08 - 02/03/2009




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