Luiz Felipe Reis, JB Online
RIO - É como a linda e “apetitosa” capa do álbum It's Blitz! indica: a gema sonora concebida em 2003 com o début Fever to tell e amadurecida com Show your bones (2006) estoura, sai da casca e remodela o arsenal sônico do trio Yeah Yeah Yeahs, que de três em três anos acostumou-se a estalar uma onda de fumaça, levadas dançantes, gritos lascivos e sensuais nas pistas de dança e prateleiras físicas e virtuais web afora.
O som de inferninho noturno produzido pelo grupo, que sempre soou e funcionou muito bem como trilha para noites de êxtase e entorpecimento, volta à ativa com atmosfera renovada neste terceiro disco de carreira – com lançamento em 13 de abril, mas já disponível na internet – mas sem deixar de lado as melodias provocantes proferidas pela boca avermelhada de Karen O. e as sinuosas linhas de guitarra e baixo arremessadas pelos pedais e amplificadores do guitarrista Nick Zinner.
Uma pulsante e distorcida levada de sintetizador, no entanto, serve para anunciar o novo single, Zero, assim como para colorir o agora sofisticado e moderno universo pilotado pela banda, que conta ainda com o batera Brian Chase. A faixa é como um amálgama das multifacetadas correntes musicais que atravessaram os dedos de Zinner durante os últimos três anos – ou desde que a banda se apresentou no Tim Festival, em 2006.
O multi-instrumentista, assim como em muitas bandas do momento, adiciona sintetizadores para todo o lado, mas dá seu toque ao unir às novas eletronices distorções potentes, que remetem ao rock industrial de Trent Reznor e seu Nine Inch Nails. Ele também aposta num espectro mais amplo e espacial para os arranjos, que recebem camadas de notas lineares de guitarra buriladas pelas mãos de David Sitek (TV on the Radio). O músico assina a produção do álbum junto com Nick Launey (Arcade Fire, Silverchair e Lou Reed), responsável pelo aclamado EP Is is, de 2007.
Heads will roll e Soft shock seguem a mesma linha de Zero: combinam introduções lentas, com vocais mastigados sílaba a sílaba, até atingirem o clímax em levadas rítmicas que as aproximam da disco music e da vertente electro. A aventurosa guinada do grupo, porém, se revela ao mesclar minimalismo e grandiloquência em canções como Skeletons e Runaway. Com arranjos orquestrais, ambas seriam inimagináveis para a banda que em 2003 arrancou os cabelos dos fãs e se tornou febre com os incendiários singles Maps, Y control e Date with the night. Já Dull life faz o trajeto de retorno da viagem sinfônica e atira a banda novamente em seu redemoinho agressivo e apocalíptico.
Ao fim de suas 10 faixas, It' Blitz! desvela um painel contraditório: o grupo soa mais ousado e inventivo, porém menos urgente. E a partir de melodias mais fluidas e ritmos menos angulosos, o YYYs emoldura seu trabalho mais consistente – mesmo que, às vezes, necessite de uma verdadeira blitz para que suas delicadas nuances não se percam num emaranhado sonoro dispersivo.
21:23 - 02/03/2009