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Internacional

Empresa processadora de arroz contesta justificativa para intervenção

Agência ANSA

CARACAS - A companhia venezuelana Alimentos Polar afirmou nesta segunda-feira que aceitará a intervenção estatal sobre suas atividades, mas contestou a alegação de que as empresas do setor estariam praticando preços altos demais e deixando de produzir arroz branco de maneira proposital.

No fim de semana, o presidente Hugo Chávez ordenou a ocupação militar nas processadoras de arroz do país sob a justificativa de que a falta do alimento se deve à baixa produção das companhias responsáveis e para coibir preços considerados abusivos.

As empresas, porém, defendem-se afirmando que a ausência do produto nos mercados está associada à escassez de matéria-prima e que o controle inflacionário imposto pelo governo gera prejuízos.

Luis Carmona, diretor de operações da Polar, primeira companhia a sofrer intervenção do Estado, explicou que "não foi possível nos últimos dois anos conseguir o arroz suficiente para produzir as toneladas que foram produzidas em anos anteriores".

Segundo ele, "enquanto o custo de produção de arroz é de 4,41 bolívares (cerca de US$ 2), o custo regulado [pelo governo] é de 2,18 bolívares (cerca de US$ 1)".

Carmona argumentou que obrigar uma empresa a produzir com prejuízo "não resolve o problema, mas o agrava", e que por isso espera dialogar com o governo "sem intervenção".

Com a decisão de Chávez, o Estado passará a fiscalizar as atividades das empresas que forem colocadas sob supervisão. Ao todo, as autoridades esperam realizar inspeções em 52 processadoras de arroz. O mandatário ameaçou expropriar as fábricas que não aceitarem a intervenção.

O diretor jurídico da Polar, Gullermo Bolinaga, afirmou que a empresa é responsável por apenas 6% de toda a produção do país, enquanto o Estado, por outro lado, processa 48% do arroz consumido.

Já o ministro da Alimentação, Felix Osório, declarou que a intervenção e a inspeção das empresas é feita para que "se produza o que se deve produzir".

- Na semana passada, de forma responsável, ordenamos uma inspeção rotineira às processadoras, porque não se conseguia arroz suficiente nas prateleiras para o consumo. Encontramos 440 toneladas de produto empacotado nos depósitos, sendo que 90% eram de arroz aromatizado e só 10% eram para o consumo básico - explicou.

19:12 - 02/03/2009










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