Randall Mikkelsen, REUTERS
WASHINGTON - O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, excluiu na segunda-feira o uso do 'waterboarding' (uma simulação de afogamento) como técnica para interrogar suspeitos de terrorismo, classificando a prática como uma forma de tortura com a qual o governo Obama não poderia jamais consentir.
A declaração de Holder salienta a ruptura do presidente Barack Obama com a política anti-terrorismo da ex-administração Bush, condenada por grupos de direitos humanos, defensores das liberdades civis e aliados dos EUA no exterior.
- O afogamento é tortura. Meu Departamento de Justiça não irá justificá-lo, não irá buscar explicações para ele e nem consenti-lo - disse Holder em um discurso para o Conselho Judeu de Assuntos Públicos, em Washington.
O secretário está à frente dos trabalhos de revisão no tratamento de suspeitos de terrorismo.
- Muito frequentemente na década passada a luta contra o terrorismo foi percebida como uma batalha de soma zero com a nossa tradição de liberdades civis. Essa escola de pensamento não está apenas enganada, temo que na atualidade ela nos fez mais mal do que bem - afirmou Holder. - Não podemos pedir a outras nações que nos apoiem na busca por justiça se nós não somos vistos na busca desse ideal.
Uma das práticas mais condenadas do governo Bush foi o afogamento, uma forma de afogamento simulado que a CIA admitiu usar em três suspeitos de terrorismo antes de anunciar a abolição da prática em 2003.
Autoridades do governo Bush chegaram perto de descartar de forma categórica o uso da prática no futuro.
Em janeiro, Obama ordenou que as agências governamentais acatem as limitações para os interrogatórios constantes no Manual de Campo do Exército, que proíbe o afogamento.
Ele também pediu, porém, uma revisão nas práticas de detenção e interrogatório, o que, para alguns defensores dos direitos humanos, poderia deixar aberta a possibilidade de que determinadas formas duras de interrogatórios fossem aprovadas posteriormente.
Holder afirmou que, embora muitas práticas seriam submetidas a revisão sob as ordens executivas de Obama, "uma em particular (o waterboarding) absolutamente não o será".
Obama, que assumiu o poder em 20 de janeiro, reiterou em discurso ao Congresso na semana passada sua promessa eleitoral de estabelecer um novo curso na política de contraterrorismo.
- Respeitar nossos valores não nos faz mais fracos, nos torna mais seguros e mais fortes. E é por isso que posso me colocar aqui esta noite e dizer sem exceção nem equívoco que os Estados Unidos da América não torturam - disse Obama.
Ao mesmo tempo, ele prometeu "justiça imediata e certeira para terroristas capturados".
O presidente democrata também determinou o fechamento do centro de detenção americano na Baía de Guantánamo, em Cuba, onde muitos suspeitos estrangeiros de terrorismo foram mantidos durante anos sem julgamento.
15:34 - 02/03/2009