Portal Terra
BISSAU - Imagens divulgadas nesta segunda-feira por uma TV local mostraram destruição em frente à casa do presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, assassinado a tiros por soldados em represália ao atentado que matou ontem o general Tagmé Na Wai, chefe do Estado-Maior do Exército.
Desde a madrugada, um forte dispositivo militar rodeava a sede da presidência da Guiné-Bissau, enquanto eram registrados tiroteios na capital, após o atentado que matou Na Wai, segundo emissoras regionais de rádio. As trocas de tiros começaram em diferentes pontos do país, após o atentado, e prosseguiram até a madrugada.
Depois da morte de Vieira, a Assembleia Nacional Popular (Parlamento) de Guiné-Bissau se reuniu para decidir o futuro político do país, enquanto os militares prometeram respeitar sua resolução.
Vieira era um ex-militar que governou o país até ser deposto em uma guerra civil na década de 90. Ele retornou ao poder em uma eleição em 2005. O presidente vinha entrando em choque com o chefe das forças armadas, general Batista Tagme Na Wai.
- Tagme sempre disse que seu destino e o do presidente estavam ligados. E que, se ele morresse, o presidente também morreria - disse uma autoridade do bloco regional da África ocidental, Ecowas, que pediu para não ser identificado. Portugal condenou ambos os ataques em um comunicado e fez um apelo para "o total respeito à ordem constitucional no país".
Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo e, desde que obteve a independência de Portugal em 1974, sofreu vários golpes de Estado. Nos últimos anos, o país de 1,6 milhões de habitantes se transformou em centro da rota do tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa. Altos cargos do governo e chefes militares foram acusados de participar deste negócio ilegal.
14:51 - 02/03/2009