Jornal do Brasil
NOVA YORK - É muito fácil apagar acidentalmente fotografias digitais queridas: um único clique errado no mouse, e pronto.
Infelizmente, recuperar essas imagens pode ser complicado, em especial quando os arquivos foram fragmentados e pedaços deles estão espalhados por todo o disco rígido ou cartão da câmera.
Agora, porém, há solução: um novo software é inteligente o bastante para encontrar e reagrupar fotos digitais fragmentadas, mesmo quando os rastros para a sua localização foram apagados. O processo é semelhante à montagem de um milhão de peças de um quebra-cabeças complicado – e sem a imagem-guia.
Espera-se, aliás, que esse programa possa ser usado não só para o consumo habitual de fotógrafos profissionais ou amadores, restaurando fotos que tenham sido apagadas instantaneamente, mas também na recuperação deliberada de imagens deletadas que podem servir de prova em casos de espionagem corporativa ou pornografia infantil.
O programa foi desenvolvido pelo cientista da computação Nasir Memon, um professor do Instituto Politécnico da Universidade de Nova ork. É um exemplo de uma técnica sofisticada chamada file carving, 'que restaura o conteúdo de um arquivo após identificar a informação que acompanha aquilo que foi removido ou perdido', explica Golden G. Richard III, professor de ciência da computação na Universidade de Nova Orleans, que acrescenta o quão raro é o novo software:
– A maioria dos aplicativos não consegue tratar imagens que foram quebradas em pedaços e embaralhadas. Mas essa técnica pega os fragmentos e os coloca no lugar.
Acontece que os dados geralmente são armazenados em fragmentos, quando o cartão de memória da câmera começa a ficar lotado.
O problema torna-se ainda mais complicado quando a informação de localização é apagada – por reformatação, por exemplo. Nestes casos, o programa examina pedaços individuais da imagem e deduz a ordem na qual elas deveriam estar.
Softwares como esse devem ser usados em breve pelas esferas da lei, diz Marcus K. Rogers, chefe de graduação do Programa de Forense Computacional da Universidade Purdue, em West Lafayette.
Rogers acrescenta que os sofisticados programas de data-carving são desnecessários em casos simples de restauração de fotos digitais, quando todos os dados que representam a fotografia estão armazenados em um único pedaço.
– Nesse caso, programas forenses usuais podem, geralmente, recuperá-las – justifica.
Mas, se os dados estão dispersos, o problema é mais sério.
– Esse programa é um grande passo à frente – ilustra. – Antes dele, usávamos um processo manual de passar por todo o drive, procurando pela imagem e tentando fazer com que os pedaços ficassem juntos.
Um processo tão meticuloso que poderia levar dias.
– E, mesmo com as melhores ferramentas, geralmente não era possível restaurar a fotografia completa, uma vez que o arquivo estava já muito fragmentado – afirma Yalkin Demirkaya, presidente da Cyber Diligence Inc, de Nova York.
Uma versão do programa de Memon já será incorporada ao Forensic Toolkit, um software para nvestigação digital da AccessData Corp. em Lindon, Utah.
Além disso, Memon e dois de seus estudantes, Pasha Pal e Kulesh Shanmugasundaram, fundaram a Digital Assembly, que vende a consumidores versões de seu programa, Adroit Photo Recovery, para restaurar imagens deletadas (custa U$S 39,99 no site digital-assembly.com. O software, porém, não pode recuperar imagens parciais, quando partes da foto original foram substituídas por novos dados.
– Mas poderá recuperar fotos se todas as partes estiverem ainda presentes, ainda que dispersas – assegura Memon.
Em sua pesquisa, ele descobriu que imagens latentes devem ser motivo de preocupação não apenas de criminosos, mas também de pessoas comuns, que pensam erroneamente terem eliminado as imagens de seus cartões de memória, antes de vendê-los. Ele aprendeu isso quando comprou cartões usados no eBay, para testar o poder de seu software, e acabou recuperando muitos instantâneos altamente pessoais de desconhecidos.
– As pessoas pensam que deletaram suas imagens – alerta. – Mas na verdade apagaram apenas o índice de conteúdos, que indica onde estão as fotos, e não as fotos propriamente ditas.
As informações são do jornal The New York Times
09:49 - 02/03/2009