Leandro Souto Maior, Jornal do Brasil
RIO - Igual ao inseto que adotou como nome artístico, o carioca Paulo Corrêa de Araújo, mais conhecido como Paulinho Moska, ou apenas Moska, não para quieto. Já há alguns anos o cantor e compositor realiza exposições com suas fotografias e também vem se aventurando como apresentador do programa Zoombido, no Canal Brasil. E foi na TV que finalmente conseguiu canalizar suas diversas facetas artísticas, fazendo um tudo-ao-mesmo-tempo- agora com suas paixões, entrevistando seus artistas preferidos, distorcendo imagens dos convidados em fotos através de um tijolo de vidro e dando canjas musicais com eles. A primeira leva dos programas acaba de sair em CD e DVD e será lançada nesta terça-feira, com show gratuito na Modern Sound, em Copacabana. 'Workaholic', nem no cenário paradisíaco de Trancoso, na Bahia, Moska sossega.
– Não vim aqui para relaxar – conta, por telefone, de um hotel no litoral baiano. – Vim participar de um show beneficente organizado pela Elba Ramalho. Meu trabalho é misturado com o prazer, sempre viajando, conhecendo pessoas. E isso é um privilégio.
Intérpretes vão ter vez
O primeiro volume (serão quatro DVDs por temporada, lançados ao longo do ano) traz entrevistas com Pedro Luís, Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Mart'nália e Zeca Pagodinho. Agrupados por afinidades musicais, o próximo volume vai reunir Gilberto Gil, Celso Fonseca e Joyce. Em outro estarão Frejat, Zélia Duncan e Nando Reis. Otto, Jorge Mautner e Sérgio Dias encabeçam uma espécie de edição maldita do Zoombido.

O critério para chamar os convidados era que fossem todos compositores, para que revelem seus métodos de criação. Mas Moska vislumbra variações no formato, com temporadas dedicadas a intérpretes e instrumentistas.
– Quero abrir o formato porque é uma pena não poder entrevistar nomes como Emílio Santiago ou Ney Matogrosso, por exemplo. Já fiz programas com quase 80 artistas. Não conheço ninguém que tenha produzido duetos com tantas pessoas de um mesmo país. Talvez eu esteja no Guinness book of records e nem saiba – aposta Moska. – Quero mostrar que Francis Hime e Wando são igualmente geniais.

De início, o polivalente apresentador chamou os amigos mais próximos para serem “cobaias”. Conforme a atração foi engrenando, o anfitrião passou a ousar mais na lista de convidados. Hoje, garante, todos querem participar.
– A próxima temporada está toda agendada e terá nomes a princípio inusitados, como Juca Chaves e Márcio Greyck – adianta. – Quero produzir uma coleção de cerca de 30 DVDs, mapeando todo um momento da história da nossa música.
A intenção, diz Moska, sempre foi fazer um programa brasileiro bem diversificado, destacando do rapper ao sambista, do roqueiro ao funkeiro, do axé ao forró.
– Quero mostrar que em todos os estilos existem grandes canções. No axé, basta tirar aquela padronização sonora imposta pela indústria. Se Caetano gravasse uma daquelas músicas, todos diriam que ficou genial – aponta.

Desde a estreia, em 2006, o Zoombido aposta num formato classificado por seu criador como um “antiprograma”, destacando o entrevistado mais que o entrevistador.
– Nos programas do Jô, Faustão, Marília Gabriela ou Luciano Huck, o artista sai agradecendo por terem dado a oportunidade de aparecer por lá. No meu é o contrário: eu agradeço por poder dividir momentos com músicos tão talentosos – compara. – São entrevistas afetivas. Não tem aquele papo de quantos discos vendeu, ou quem está namorando com quem.
No Zoombido, a comunhão com os entrevistados tem seu ponto alto na música Para se fazer uma canção, criação conjunta dos 26 convidados que participaram da primeira temporada, e que está imcluída no primeiro volume. Cada um que chegava criava uma frase e uma linha melódica, e assim a ideia foi se formatando.
– Isso apareceu na última hora – revela Moska. – Na véspera da gravação do primeiro programa, com o Vander Lee, eu sonhei com uma grande música em que cada convidado contribuía com um trecho. E assim o sonho se tornou realidade.
CD de inéditas a caminho
A empolgação com o Zoombido fez Moska deixar um pouco de lado sua carreira musical. Há cinco anos sem lançar material inédito, ele prepara um novo CD para este ano. Com nome já definido, Muito pouco (título de uma música sua gravada por Maria Rita) vai trazer 13 canções e a participação do grupo argentino-uruguaio de tango eletrônico Bajofondo Tango Clube. Também está nos planos o CD do projeto Tem Moska no samba, registro de releituras de clássicos do gênero.
– Não dá para precisar as datas de lançamento já que, graças a Deus, não tenho mais gravadora nem chefe – comemora. – Faço tudo pela minha empresa, a Casulo. Sou o presidente e o office-boy. Consegui me libertar! Mas eu espero que os projetos se concretizem este ano.
>> Saiba mais sobre o novo CD de inéditas de Moska clicando aqui
18:16 - 01/03/2009