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SÃO PAULO - Imaginar dinossauros em carne e osso não é algo difícil apenas para os leigos, mas também para os paleontólogos quando se fala em animais pré-históricos que habitaram a Terra há nada menos do que 65 milhões de anos. No entanto, uma nova ferramenta com tecnologia em 3D pode ajudar a solucionar o problema de remontagem dos esqueletos de grandes feras pré-históricas, imaginando até mesmo se eles seriam gordos ou magros. As informações são do site científico Live Science.
Por meio de um equipamento de imagem a laser chamado Lidar, os pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, criaram pela primeira vez modelos computadorizados em três dimensões de cinco espécies de dinossauros - incluindo duas do temido T-Rex (Tyrannosaurus rex), uma da fera Acrocanthosaurus atokensis, uma do ancestral do avestruz Strutiomimum sedens, uma do herbívoro Edmontosaurus annectens e outra do hadrossauro.
De acordo com os cientistas, a técnica permite que qualquer pessoa veja e imagine como os dinossauros teriam sido em vida, levando em conta a gordura ou a magreza dos exemplares. "Você pode ver o esqueleto com uma barriga", disse Karl Bates, um dos responáveis pelo projeto de biomecânica da universidade.
O Lidar conta com um sistema de mapeamento por radar, semelhante ao utilizado pela sonda espacial Phoenix Mars Lander, da Nasa, agência espacial americana. Os pesquisadores utilizaram o mecanismo para fazer estimativas de peso e conceber a possível condição física dos animais na época. Cálculos de baixo peso, segundo a equipe, seriam os mais prováveis para os dinossauros porque a obesidade afeta a velocidade, aumentando a demanda de energia sobre o sistema respiratório.
O maior exemplar de tiranossauro do Museu de Manchester pode ter pesado em torno de 9 t, aproximadamente o tamanho do maior elefante africano. Já o menor exemplar, exposto em um museu de Montana, nos Estados Unidos, pode ter atingido entre 6 e 7,7 t.
- Dinossauros provavelmente tinham 30% de sua massa nas pernas traseiras. Estudos anteriores mostraram que gigantes, como o T-Rex, precisariam de muito mais músculos nos membros traseiros para se locomoverem tão rápido como os exemplos mostrados na TV, principalmente no filme 'Parque dos Dinossauros' ('Jurassic Park', de Steven Spielberg)- afirmou Bates ao Live Science.
A espécie Strutiomimum sedens - que pode ser vista no Instituto de Pesquisa Geológica da Dakota do Sul - pesava entre 400 e 600 kg e é considerada parente distante do atual avestruz. Inclusive, para avaliar o esqueleto deste antigo animal, os pesquisadores fizeram análises de imagens a laser de um avestruz. "Reconstruir dinossauros com estes detalhes permitirá avaliar as mudanças na massa corporal das espécies durante a evolução", concluiu Bates.
O estudo também foi divulgado na edição deste mês da revista científica PLoS ONE.
12:04 - 28/02/2009