Maurício Zágari, Jornal do Brasil
RIO - O grande mérito de O leitor é conseguir sintetizar na mesma trama muitas das questões que tocam universalmente nas feridas da alma humana: amor, carência, solidão, solidariedade, sexualidade, injustiças, sonhos, morte. Por isso, a história do adolescente que tem sua vida transformada para sempre ao se envolver com uma misteriosa mulher mais velha (Kate Winslet) – por um viés ou outro – alcança emocionalmente seu público. Touché: eis a fórmula perfeita para obter rostos consternados na saída da sala de exibição.
Além de um Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e do prêmio de Melhor Atriz no Sindicato dos Atores dos EUA para Kate Winslet, mais indicações em cinco importantes categorias do Oscar, entre elas Filme, Diretor e Atriz (Kate, mais uma vez).
Apesar das cenas de nudez desnecessariamente excessivas, a direção de Stephen Daldry (Billy Elliot, As horas) e as atuações primam pelo minimalismo, necessário na composição de personagens que precisam explodir, mas nunca o fazem. E, com isso, as feridas permanecem sem cicatrizar e os protagonistas, sem obter a redenção.
16:38 - 05/02/2009