Ricardo Schott, Jornal do Brasil
RIO - No mundo do rap, existem poucas bandas tão globalizadas quanto o Orishas. Nascidos em Cuba, os integrantes Ruzzo Medina, Yotuel Romero e Roldán González (além do ex-membro Flaco-Pro, que os deixou em 2002) se conheceram durante uma estadia em Paris, em 1999, e passaram a juntar rap, sons cubanos e africanos em álbuns como A lo cubano (1999) e Emigrante (2002).
Tal união de sons garantiu status de banda miscigenada musicalmente e rendeu bom público na América Latina. Prestes a fazer seu quarto show no Brasil, no Oi Noites Cariocas, dia 30, o grupo também lança aqui seu quarto álbum, Cosita buena, editado na Espanha em julho do ano passado e previsto para fevereiro no Brasil, pela Universal. E mantêm o estilo internacionalista até mesmo no dia-a-dia do grupo: Yotuel e Roldan vivem em Paris e Ruzzo, em Milão, na Itália.
– Não há problema nenhum nisso, é só uma questão de acertarmos as agendas – diz Yotuel por telefone de Cuba, para onde viajara, ao Jornal do Brasil. – Como vivemos todos na Europa, uma viagem internacional é, para nós, como se pegássemos um táxi. Seguimos uma vida independente, mas estamos sempre juntos.
Cuba e África no som
O grupo chegou a ficar em primeiro lugar nas paradas de seu país natal com o debute A lo cubano e se apresentou para uma platéia de 10 mil pessoas em Cuba, em dezembro de 2000. Mas acreditam que a mudança do país foi crucial para que pudessem realizar sua arte, que, desde o período pré-Orishas (quando se chamavam Amenaza, no começo dos anos 90) já acenava para as nem sempre comentadas raízes africanas de Cuba.
– Basicamente deixamos o país porque não se entendia o que fazíamos por lá. Nossa música não era compreendida em Cuba, ninguém nem entendia o que era rap. Só conseguimos fazer nosso som fora da nossa terra – revela o rapper, que, mesmo tendo seu grupo gravado Emigrante, que trata do dia-a-dia de quem deixa Cuba, prefere se esquivar de assuntos políticos. – Preferimos ser conhecidos apenas por nosso som, por nossas letras. Sabemos como é feita a política em todos os países, mas é um assunto que não nos interessa em particular. Preferimos nos ater à música.
De fato, a música é o assunto que mais interessa aos Orishas na atualidade. Ainda mais após terem cuidado de todos os detalhes do novo álbum, que tem músicas como o single Bruja e Hip hop conga, tema do carnaval 2008 do município espanhol de Santa Cruz de Tenerife.
– É o álbum mais independente e mais pessoal de toda a nossa carreira. Produzimos e compusemos nós mesmos – conta o rapper, que, em lançamentos anteriores, contou com o auxílio de produtores até mesmo na hora de escrever canções. – Cosita buena é completamente nosso, foi feito sob nossa total responsabilidade. Temos muito amor a esse álbum.
Para o show do Rio, Yotuel diz que vão apresentar seis músicas do novo disco e uma seleção de faixas dos anteriores.
– Adoramos as platéias daí. Sempre nos impressionamos com o Brasil, que tem uma grande ligação com Cuba.
12:04 - 16/01/2009