Ir direto para o conteúdo

Jornal do Brasil - O primeiro jornal brasileiro da internet



RJ - Hoje
22º / 33º
RJ - Amanhã
21° / 28°



Rio

O longo caminho da Lapa ao Soho

Felipe Sáles, Jornal do Brasil

RIO - O aguardado choque de ordem na Lapa – que só deverá começar quando passar o Carnaval – vai exigir mais do que vontade política. Demandará uma força-tarefa de grande magnitude em se tratando da reforma do centro histórico do Rio – um dos principais pontos no processo de revitalização da região. Segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Rio (Sinduscon), há cerca de 5 mil prédios históricos na área que vai da Lapa ao Sambódromo, o que daria para construir em torno de 40 mil unidades habitacionais e transformar a região numa espécie de Soho, bairro de Nova York. A Associação de Moradores do Centro, por sua vez, teme que o governo dê início a um processo de especulação imobiliária.

O presidente do Sinduscon, Roberto Kauffmann, salienta que o principal empecilho são as dívidas de IPTU acumuladas pela maioria dos prédios históricos ao longo dos anos. Para ele, esse é o ponto nevrálgico do projeto. A Secretaria Municipal de Habitação, porém, informou apenas que a área é uma prioridade e que deseja construir moradias e reformar prédios, frisando que o projeto ainda está sendo elaborado.

– Há um interesse enorme dos empresários pela região, e só o que nos faltava era essa contrapartida da prefeitura – ressaltou Kauffmann. – Esse é um ponto fundamental, pois transformaria a área numa espécie de Soho, que reúne jovens e pessoas da terceira idade. Se a prefeitura tiver essa iniciativa, sem dúvida haverá uma adesão grande e vai melhorar a qualidade de vida e povoar o Centro.

Até MTST tem casa na Lapa

A grande quantidade de moradias irregulares pode dificultar o projeto. Logo na primeira semana de governo, as ações de choque de ordem tentaram desalojar famílias que ocuparam um prédio na Rua Mem de Sá, mas a ação foi abortada por determinação da Justiça. A mais recente ocupação foi do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), na Rua do Riachuelo 48, antigo prédio do INSS. A Associação de Moradores do Centro – que teme a especulação imobiliária – defende que os edifícios sejam reformados e os moradores mantidos por meio de financiamento popular junto à Caixa Econômica Federal. Kauffmann refuta.

– Especulação é comprar terreno desvalorizado e esperar valorizar – argumentou. – Estamos falando de qualidade de vida, moradias de baixo custo, perto do trabalho, que é o que todos querem.

O vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio, Egydio Andreza, acredita que a Lapa poderá se transformar numa nova Tijuca.

– Hoje, o imóvel da Lapa tem valorização semelhante aos de Vila Isabel ou Méier. Estamos confiantes na revitalização.

22:03 - 12/01/2009










Edição eletrônica





Jornal do Brasil - O primeiro jornal brasileiro da internet

© 1995 - 2009. Brasil Mídia Digital