João Paulo Aquino, JB Online
RIO - Circular de carro ou andar de ônibus pelas ruas do Rio tornou-se um desafio. A frota de aproximadamente 2,1 milhões de veículos – dos quais 1,2 milhão circulam diariamente pela cidade – congestiona as vias. Porém, é o desrespeito às leis de trânsito o maior responsável pelo caos.
Especialistas e mesmo condutores concordam que um melhor comportamento ao volante traria melhorias imediatas.
Para o professor especialista em trânsito da Uerj, Alexandre Rojas, a capital fluminense já experimentou o movimento ordenado de veículos:
– Em 1999, a implantação do novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) coincidiu com o início da monitoramento pela Guarda Municipal. De começo, eles eram rigorosos, e foi perceptível o progresso. Basta aplicar a lei.
Ao circular pela cidade, a equipe do JB flagrou várias infrações. Veículos estacionados próximo a esquinas, carro oficial de consulado estacionado sobre faixa amarela e inúmeros carros sobre a faixa de pedestres, além de cruzamentos fechados.
Secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão diz que a nova administração tem propostas imediatas para tentar ordenar o trânsito. Descartou a possibilidade de um rodízio, como há em São Paulo, mas aposta também em campanhas educativas para os motoristas.
– Uma questão que nos mobiliza neste momento é aprimorar a engenharia de tráfego, reorganizando a sinalização, para adaptá-la ao novo contexto da cidade.
Na quarta-feira, em Copacabana, um PM e um guarda municipal, lado a lado, não tinham olhos para as infrações cometidas diante deles.
– Eu não tenho nem bloco de multa. Se tiver que multar, preciso chamar outra viatura. Fico mais atento à segurança do comércio – justificou-se o policial.
A postura dos guardas é criticada por Walter Porto Junior, professor de engenharia de transporte da UFRJ:
– No Brasil, o poder público é muito tolerante. Para diminuir acidentes, o principal é fiscalizar e punir.
Em Ipanema, uma Kombi parada com duas rodas sobre a calçada na posição da faixa de pedestres fazia entrega de gelo. Mães com crianças e idosos contornavam o veículo para ter acesso à calçada e se expunham ao risco de atropelamento.
– A gente não tem opção. Todo dia é assim, somos obrigados a parar na calçada – defendeu-se o motorista Ortísio Rodrigues.
Já o motorista de ônibus Josias Ferreira Portela denúncia os condutores de vans.
– Dirigem como se estivessem em uma gincana, não há lei para eles – ataca.
A taxista Mônica de Oliveira Rosa sente falta do respeito entre os motoristas.
– Os motoristas esqueceram que gentileza gera gentileza, ninguém dá passagem, ou preferencial e buzina-se para tudo – desabafa a profissional.
João Ribeiro, presidente do Sindicato das Auto Escolas do Rio de Janeiro, acha que o problema tem raiz cultural.
– O condutor é consciente da regra, mas com o jeitinho brasileiro, tira proveito de tudo, e o Estado permite – conclui Ribeiro.
17:33 - 10/01/2009