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Rio

Paes quer ordenar blocos, bandas e ampliar o Sambódromo

Fernanda Thurler, Jornal do Brasil

RIO - O Choque de Ordem vai chegar ao Carnaval. Para desfilarem este ano, os blocos e bandas deverão cumprir algumas normas que podem variar da colocação de banheiros químicos ao pagamento de taxas. As regras serão determinadas, em 30 dias, em um relatório final do grupo de trabalho criado ontem pelo prefeito Eduardo Paes.

– Temos um desafio enorme de organizar o que não está organizado, que é o carnaval de rua – revelou. – A Riotur vai ter um planejamento para definir horários, trajetos, banheiros químicos, com espontaneidade, alegria, e organização.

Na avaliação do secretário de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, é justo exigir uma contrapartida dos blocos maiores .

– Os blocos, que têm patrocínio, já viraram uma atividade econômica. O ideal seria se eles pudessem contribuir de alguma maneira. A prefeitura não pode ter todo o ônus da operação. Já que eles ganham dinheiro com isso, é justo que eles possam dar sua contrapartida, como a colocação de banheiros químicos ou o pagamento de uma taxa – revelou o secretário, depois de acompanhar o prefeito em uma visita à Marquês de Sapucaí.

Antônio Pedro explicou que o objetivo da prefeitura é organizar a folia para que todos os cariocas possam aproveitar o carnaval, até mesmo os que não gostam da festa. Por isso, a necessidade de integração de todos os órgãos que participam da organização do carnaval de rua, como as secretarias de Transporte, Cultura e Ordem Pública, Comlurb e as subprefeituras.

– O que a gente pretender fazer é organizar os desfiles de rua, sem deixar que eles percam o brilho. De maneira que se tenha banheiro químico, que as pessoas possam saber quais as ruas serão fechadas, onde a CET-Rio terá de atuar. A gente não quer que os blocos virem um grande problema para a cidade – detalhou.

Apoio e críticas

A proposta dividiu opiniões. A presidente da Sebastiana (Associação Independente dos Blocos da Zona Sul, Santa Teresa e Centro), Rita Fernandes, acredita que poucos são os blocos que poderão oferecer qualquer contrapartida.

– Isso seria válido para um carnaval como o da Bahia, em que há dinheiro envolvido, lucro, venda de abadás a preços altíssimos. Bloco do Rio não tem dinheiro. A ajuda de custo é usada para botar o bloco na rua – ressaltou.

Para Henrique Brandão, diretor do Simpatia É Quase Amor, os blocos, de alguma maneira já ajudam o poder público. Para organizar a festa de 30 mil foliões que desfilam em Ipanema, os diretores contratam 100 seguranças para tirar aqueles ambulantes que trabalham no meio do bloco e atrapalham a diversão.

– Financeiramente a gente não pode pagar nada. Acho que a prefeitura deveria ter consultado os blocos antes de qualquer determinação – criticou Henrique.

Já a diretora do Escravos da Mauá, Eliane Costa, aprovou a idéia.

– É uma iniciativa boa para os blocos, para os moradores não foliões e para a prefeitura na divulgação do turismo.

Ampliação na Sapucaí

A 43 dias do Carnaval, o prefeito Eduardo Paes visitou nesta sexta pela primeira vez a Marquês de Sapucaí para acompanhar os preparativos para o desfile das escolas de samba.

Funcionários trabalhavam na pintura, montagem das frisas e limpeza dos camarotes, tudo de acordo com o cronograma. Paes anunciou que pretende ampliar os espaços do Sambódromo. Para isso, a prefeitura vai buscar uma negociação com a Brahma, dona de um prédio que fica atrás dos camarotes. A secretaria de Fazenda vai até fazer uma levantamento da dívida da empresa em IPTU atrasado.

– É uma idéia que eu tenho de ampliar o espaço do Sambódromo. Está na proposta da candidatura Rio 2016 como sede de algumas modalidades esportivas, como arco e flecha e a final da maratona – adiantou Paes.

Quanto aos desfiles, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, disse que as escolas vão ganhar mais dois minutos para que as comissões de frente façam uma apresentação a mais: em frente ao setor 3. Antes eram feitas entre os setores 3 e 5.

– Quem comprar o ingresso do setor 3 vai poder ver a coreografia de frente. Antes as pessoas viam de costas ou de lado – explicou.

22:19 - 09/01/2009










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