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Cultura

Velha Guarda do Império Serrano é tema de documentário de jovem diretor

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - A Velha Guarda do Império pode não ser tão badalada quanto as da Mangueira ou da Portela, mas possui relevância de sobra para estar no foco de um documentário que chega aos cinemas este ano. Nada da produção sofisticada de uma Consipração Filmes ou de presenças pop como Marisa Monte ou Chico Buarque. Chama imperiana conta com câmera, inspiração e determinação de um jovem (33 anos) cineasta, Paulinho Sacramento, para revelar as histórias da verde-e-branco de Madureira. Registros atuais, imagens de arquivo e depoimentos de Arlindo Cruz, Teresa Cristina e Grupo Fundo de Quintal dissecam a relevância dos enredos históricos e dos compositores da escola de samba.

– Silas de Oliveira (1916-1972) é considerado até hoje o maior compositor de sambas-enredo – garante Sacramento. – Para muita gente, Aquarela brasileira, composto por ele em 1964, é o mais bonito de todos os tempos. O Império Serrano, quando ia com um samba do Silas para a avenida, tinha uma energia única. Infelizmente, não tive essa experiência pessoalmente, mas todos os que viram a escola nessa época dizem isso.

Câmera na avenida

Para a finalização do longa, faltam apenas alguns registros que Sacramento faz questão de incluir antes da edição final: o desfile na Sapucaí este ano e um encontro com Seu Molequinho, único fundador da escola ainda vivo. Por problemas de saúde, o baluarte ainda não pôde gravar suas lembranças. Recuperado, aos 88 anos recém completados, prometeu ao diretor o fundamental encontro para as próximas semanas.

– Só ele é capaz de relatar as histórias da malandragem de integrantes como Fuleiro e Mano Décio – atesta Sacramento. – A Velha Guarda mantém viva a tradição da escola. Eles não gostam do andamento mais rápido que o samba passou a ter de uns tempos para cá. Acham mais bonito como era antes, mais “para trás”, e tenho de confessar que concordo com essa impressão.

A opinião é dividida com o imperiano Arlindo Cruz.

– Meu futuro é a Velha Guarda do Império – diz o ex-Fundo de Quintal no documentário.

Enquanto o longa não é lançado, Sacramento preparou um abre-alas para rodar os festivais de cinema: um curta-metragem de 19 minutos mesclando cenas do longa com outras que ficarão exclusivas.

- A idéia é que o curta vá chamando a atenção para a estréia do longa no cinema.

Nascido e criado em Bonsucesso, Paulinho Sacramento estudou cinema na Universidade Estácio de Sá, mas desistiu de concluir o curso quando começou a trabalhar como produtor cultural no Circo Voador, onde acabou responsável pelo Núcleo de Vídeo da lona da Lapa.

– Comecei a perceber que, com o que já havia aprendido, a prática me daria o aprimoramento.

Na própria Lapa montou seu quartel-general, a Preta Produções, de onde pretende disparar mais dois documentários até o final do ano. O primeiro, que já está terminado, é A metralhadora de Selarón, sobre o chileno que construiu com as próprias mãos a emblemática escadaria do convento de Santa Teresa, que já serviu de cenário para clipe do rapper americano Snoop Dogg e para sessão de fotos para a revista Playboy americana. O segundo, ainda sem título definido, será “o filme do Arlindo Cruz”, como o diretor o está chamando provisoriamente, e vai destacar a carreira do sambista.

Confira aqui o curta "Chama imperiana"

19:07 - 08/01/2009










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