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Internacional

Israel distribui pagers para alertar sobre ataques

Gabriel Toueg, Portal Terra

TEL AVIV - Afastados dos principais centros urbanos de Israel, moradores da região ao redor da Faixa de Gaza levam uma vida diferente de habitantes de Jerusalém ou Tel Aviv. Abrigos anti-bomba, sirenes, pagers para avisar a iminência de mísseis fazem parte da rotina dos que vivem em cidades como Sderot, Ashkelon e, mais recentemente, Beer Sheva e Ashdod.

Renne Rosenbaum mora há 11 anos em Sderot, onde é vice-diretora de uma escola local. Nascida em São Paulo, ela vive há 47 anos em Israel. Ela conta que a cidade, atingida há pelo menos oito anos por mísseis Qassam, vive uma rotina de apreensão.

Com as aulas na escola canceladas há três semanas, Renne tem ficado em casa a maior parte do tempo. A paulistana conta que a filha mais nova, Shir, 22 anos, tem um pager que carrega sempre com ela. "Serve para avisar quando um míssil vai cair", diz.

Embora os aparelhos não sejam distribuídos para toda a população - apenas os mais jovens e os idosos que moram sozinhos têm um -, Renne explica que quando há um "tzeva adom", cor vermelha, como é chamado, o alerta pode ser ouvido em qualquer parte da cidade.

Sderot também tem pontos de ônibus protegidos, para que passageiros possam correr e se abrigar nos quinze segundos que o projétil demora para cair. "Aprendemos que quinze segundos é muito tempo", brinca.

Logo depois do choque dos mísseis, as pessoas retornam à normalidade.

- As crianças voltam a brincar, mas os adultos ainda ficam mais chocados, e só se fala sobre isso por aqui - relata.

Os habitantes de Sderot lidam com traumas diariamente.

- Ensinamos as crianças que não é ruim sentir medo e elas aprendem técnicas para se acalmar, como iôga e respiração adequada - explica.

Casada e mãe de três filhas, Renne conta que a situação afeta até a intimidade dos casais.

- Os jovens não saem, e o casal raramente fica sozinho. Pais de crianças mais novas nem deixam os filhos saírem de casa - explica.

A brasileira afirma que foi favorável ao plano do então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon de sair da Faixa de Gaza, em 2005.

- Pensávamos que os palestinos iam aproveitar para construir o país deles - disse.

Mas o plano, que causou muita polêmica dentro da sociedade israelense na época, não ajudou os habitantes de Sderot e da região. Em vez disso, causou a eles ainda mais problemas.

O número de mísseis disparados pelo Hamas só cresceu nesse período. De acordo com o exército israelense, 10 mil projéteis foram lançados pelo grupo desde 2001. Desses, 6,5 mil foram lançados desde que as tropas e os colonos saíram da Faixa de Gaza.

Mesmo assim, Renne conta que a população em Sderot está otimista desde o começo da operação Chumbo Derretido, há 13 dias.

- Parece que o governo finalmente se importa com os cidadãos da periferia. Preferimos acreditar que depois dessa operação, a nossa situação vai melhorar, ainda que não se saiba por quanto tempo - disse.

10:10 - 08/01/2009










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