Felipe Sáles, JB Online
RIO - Em cerimônia realizada no início da tarde desta segunda-feira, o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral assinaram "o primeiro de uma série de atos em conjunto", no caso, um convênio onde a prefeitura pagará R$ 500 aos policias responsáveis pelo patrulhamento do Morro Dona Marta, em Botafogo. O convênio custará R$ 720 mil por ano à prefeitura. Em 15 dias, a Cidade de Deus, no Recreio dos Bandeirantes, e a Favela do Batan, em Realengo, ambos na Zona Oeste, também receberão policiais para o novo modelo de policiamento comunitário.
- Santa Marta teve 70 anos de abandono, e somente nos últimos cinco anos começou a receber investimentos - disse o presidente da Associação de Moradores do Dona Marta, José Mário. - Estamos muito felizes com mais essa iniciativa. Estamos entrando num túnel escuro e vamos sair do outro lado com muitas luzes e fogos comemorando melhorias na qualidade de vida.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, ressaltou que este é uma série de atos aos quais os cariocas se acostumarão a ver ao longo dos próximos anos. E ressaltou as parcerias já fechadas até este momento no combate à dengue e à desordem urbana. Paes não se preocupou com os novos custos que terá com o policiamento no Dona Marta, apesar dos ajustes fiscais que fez logo no primeiro dia de mandato.
- Estamos hoje cortando custos, mas essa conta nós esperamos que aumente pois refletirá sucesso nas ações de segurança pública - comentou Paes. - Serão 720 mil por ano gastos com os policiais, verba que planejamos aumentar e um dinheiro que vamos buscar com prazer.
Segundo Cabral, o modelo do Dona Marta se repetirá nos próximos 15 dias na Favela do Batan e na Cidade de Deus. Cerca de 400 policiais se formam na próxima semana. Cinquenta vão atuar no Batan e outros 120 ficarão na Cidade de Deus, seguido o mesmo modelo implementado no Dona Marta.
- Temos outro grande problema que é a questão do efetivo, fato que a PM encara como um desafio a ser alcançado pois estamos falando de um problema que causa infortúnios a todos os moradores, da comunidade e do asfalto - comentou Cabral. - Rio passou muitos anos sendo uma demonstração equivocada de relações institucionais. O Dona Marta chegou a ser vista com certo romantismo até se transformar numa tragédia urbana que nos envergonha. Como se fosse absolutamente comum haver áreas na cidade ocupadas pr marginais. Como pode uma prefeitura, desde o início das obras do Metrô, nunca ter colocado um centavo para a ampliação do sistema? Em lugar nenhum do mundo isso aconteceu.
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, também festejou a parceria.
- O acordo sacramenta parcerias da prefeitura e o Estado. A segurança chegou ao Santa Marta junto com serviços dos governos e da iniciativa privada. É o início de um novo modo de se fazer segurança pública.
17:10 - 05/01/2009