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BRASÍLIA - Veículos lotados, chuva em várias regiões do Brasil e o habitual descaso de motoristas em relação à civilidade e às leis de trânsito deixaram um rastro de sangue nos 61 mil quilômetros de rodovias federais. De 20 de dezembro de 2008 a 4 de janeiro de 2009, a Polícia Rodoviária Federal atendeu a 7.140 acidentes, com 4.795 feridos e 435 mortos.
A escalada da violência nos dois feriados é demonstrada pelos números operacionais. A soma de desastres rodoviários superou em 7,8% o total de 2007/2008. Vítimas leves e graves cresceram 6,6% e a quantidade de mortos saltou 13,3% em comparação a igual período anterior. Até mesmo a letalidade das ocorrências, que vinha apresentando queda ao longo de 2008, aumentou nas últimas semanas. Um acidente em cada 1,5 provocou feridos; um em cada 16 causou morte imediata.
Chama atenção nos boletins da PRF a quantidade de veículos lotados envolvidos em desastres graves. Ônibus e automóveis, muitas vezes com mais passageiros que o permitido, estiveram no centro de tragédias silenciosas. No Rio Grande do Sul, pai, mãe e quatro filhos morreram na BR-386, quando o Ford/Escort em que viajavam invadiu a pista contrária e bateu de frente em um caminhão. Na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), um dos corredores viários mais movimentados do Brasil, um VW/Santana, com placas do Paraná, capotou em 25 de dezembro quando transportava dez pessoas. Os seis adultos e quatro crianças foram encaminhados ao município de Barra do Turvo (SP) para atendimento de emergência. Em Minas Gerais, também na BR-116, um ônibus da viação Itapemirim saiu da pista, deslizou uma ribanceira com mais de 70 metros e caiu no rio Angu, matando 11 passageiros e o motorista. E no Maranhão, um ônibus da empresa Satélite Norte teve a viagem interrompida quando caiu em um barranco e capotou, provocando a morte instantânea de dez pessoas.
As chuvas que castigaram as regiões Sul e Sudeste também foram decisivas para o balanço negativo registrado nas rodovias federais. Postos da PRF relataram precipitações intensas por todo o país, que causaram pistas interditadas, desvios e inundações. No entanto, cortinas de água não foram capazes de frear a irresponsabilidade de diversos brasileiros. De 20 de dezembro até ontem, quase 100 mil veículos foram flagrados pelos radares da PRF em excesso de velocidade. Deste total, 80% das imagens foram capturadas nas regiões Sul e Sudeste. Nas 320 mil abordagens realizadas nas 27 unidades da Federação, a Polícia Rodoviária Federal emitiu 71 mil autos de infração (+ 8,9%). De forma genérica, um em cada cinco veículos fiscalizados trafegava com alguma irregularidade. E a cruzada contra os que bebem e insistem em dirigir continuou: desde 20 de dezembro, 1.043 motoristas embriagados foram retirados do trânsito pelos etilômetros; 650 acabaram presos em flagrante. Lamentável média de um motorista embriagado a cada 20 minutos.
A Operação Fim de Ano da Polícia Rodoviária Federal apresentou característica importante para compreensão dos números finais. Como os feriados de Natal e Ano Novo caíram em quintas-feiras, a saída das grandes cidades aconteceu em dois momentos. No primeiro final de semana, viajaram as famílias que podiam emendar as duas datas festivas. O fluxo nos principais corredores viários do país foi intenso e a principal opção de destino foram as cidades do interior. No segundo momento de saída, a preferência dos veranistas foi o litoral. O acesso às cidades balneárias apresentou lentidão, e as ultrapassagens sob chuva trouxeram preocupação às equipes de fiscalização.
- Ao contrário do que se pensa, quando todos os veículos saem ao mesmo tempo, os riscos para quem viaja são menores. A velocidade média registrada na via é mais baixa e as chances de ultrapassagem são menos frequentes. Pista cheia provoca acidentes, mas geralmente de menor gravidade. O problema ocorre justamente quando a saída é pulverizada - afirma o inspetor Alvarez Simões, da Coordenação-Geral de Operações da Polícia Rodoviária Federal.
As diversas opções de datas para saída e chegada das famílias que viajaram em rodovias federais ajudaram a diluir o efetivo policial. Como já se previa, não houve um grande dia de movimento, e por isso, o fluxo de veículos esteve acima da média durante a quinzena de operação.
15:42 - 05/01/2009
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