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Cuba e o papel da OEA hoje

Carlos Pereyra Mele

ANALISTA POLÍTICO

Comentamos oportunamente os resultados da V Cúpula das Américas, onde a Obamania, que vive o mundo, apresentou suas propostas para o continente americano, com o qual busca melhorar as relações e trata de esquecer a anterior administração de neoconservadores. Agora, a reunião de chanceleres da OEA.

Resolveu-se por "unanimidade" a reincorporação de Cuba ao sistema pan-americano, do qual havia sido expulsa por decisão dos EUA em 1962. Assim como se expulsou Cuba sem mediar diálogo algum, reincorpora-se a ilha também sem diálogo bilateral.

Cuba deixou de mostrar seu escasso interesse em participar de um organismo que a condenou e agora a convida a se reintegrar "sem condições". A verdade é que Cuba vê um presente grego nesse convite para fazer parte de um organismo criado pela diplomacia pan-americana dos EUA para os tempos da Guerra Fria – e baseada na Doutrina Monroe da "América para os americanos".

Agora, quilômetros de tinta se escreveram sobre a decisão, que a esta altura tem sua discussão reduzida a pequenos grupos anticastristas refugiados em Miami e financiados pela CIA.

Devemos elevar-nos sobre os sofismas e mitos. Cuba nunca foi um perigo para os EUA, mas sim um "argumento" para que Washington estabelecesse todo um sistema político econômico em nosso continente, com a desculpa de combater o comunismo dos Castro.

A pergunta que nos devemos fazer hoje em dia, nós latino-americanos, é qual o papel de organismos criados para os tempos da Guerra Fria, que não refletem mais o peso de países como Brasil, Peru, Chile e Argentina. Não serve a nossos interesses regionais e de integração continental. E aí está o presente grego do qual falava Cuba.

Devemos discutir a utilidade da OEA que, recordemos, não serviu para solucionar conflito entre Equador e Colômbia, por exemplo.

E os EUA, por outro lado, insiste em refortalecer esse organismo para não perder influência sobre novos jogadores como China e Rússia, e defender seus interesses.

Sábado, 06 de Junho de 2009 - 00:00









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