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Índice - Caderno B

Isaac Bernat faz teatro no cinema e celebra a atuação

Mais conhecido por suas atuações sobre o tablado, onde um extenso currículo deita cerca de 50 peças, o ator Isaac Bernat, de 48 anos, estrela o quinto longa-metragem. Preparando-se para estrear, em 21 deste mês, no CCBB, a peça Santa Maria do circo, também uma adaptação literária, do romancista mexicano David Toscana; e acertando os últimos detalhes para o monólogo Língua solta, sobre a vida do autor do primeiro poema brasileiro, Bento Teixeira (1561-1618), o protagonista de Um romance de geração revela forte admiração e afinidade com a obra de Sérgio Sant’Anna.

– Não é a primeira vez que trabalho com um texto do Sérgio. Em 1984, atuei em Ensaio nº1, primeiro espetáculo dirigido pela Bia Lessa. Foi justamente a influência do processo de feitura da peça que desembocou na escrita do livro Tragédia brasileira.

Rodado ao longo de três meses entre um conjugado no Cosme Velho e o teatro do Jóckey, Bernat diz que a falta de patrocínio e o orçamento limitado não foram empecilhos para a realização da fita.

– Apostamos na ideia e no Sérgio. É um texto que reflete sobre a crise criativa que todo artista, uma hora ou outra, atravessa – explica o ator. – É quando começamos a questionar o que já fizemos, o que iremos propor, se há repetição, se há força inovadora. A crise de Santeiro extravasa um alter-ego exagerado do Sérgio. Ele sabe que é um personagem over, super carregado, e critica isso durante o filme. A partir da crise que partimos para novas possibilidades, que surgem projetos interessantes como esse filme.

Circulando entre o teatro, cinema e a TV, onde acaba de participar da série global Força tarefa, Bernat não restringe seu campo de atuação. Seja no que diz respeito aos meios de comunicação, seja em referência literal ao significado do verbo atuar.

– Esse trabalho foi um intenso e nada convencional exercício de atuação – destaca o protagonista. – Tive liberdade total para jogar com a interpretação de cada uma das atrizes. Elas são muito diferentes e especiais. Então a cada cena eu entrava num plano diferente. Lidei com os limites e pude extravasar uma série de noções pré-concebidas. Sou um ator aberto a diferentes propostas. O cinema é apaixonante.

Entre os mais recentes trabalhos trabalhos fílmicos e teatrais, Bernat destaca Achados e perdidos (2005), dirigido por José Joffily, o curta-metragem Fui, de Guilherme Fiuza (Meu nome não é Johnny), além da badalada peça Cine-teatro limite.

– Já fiz Tchekov, Shakespeare, Schopenhauer e trabalhei com muita gente no teatro. Então, gostaria de fazer mais filmes, porque posso juntar o artesanato da atuação com o aparato tecnológico do cinema.

Só elogios para o trabalho encenado por Bernat, David França Mendes sabia desde o princípio que precisaria de um ator que se dividisse em três. Após um teste não teve nenhuma dúvida.

– Como são atrizes diferentes, esperava que o ator pudesse responder à altura, que se recriasse para acompanhá-las. é o mesmo personagem, mas reagindo por diferentes impulsos. Teria que ser bom o suficiente para viver o Santeiro e ele realmente é. Gosta de brincar, não é um daqueles atores defensivos.

Domingo, 10 de Maio de 2009 - 00:00









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