Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
ASTRÔNOMO
Durante a formação do universo, no momento do Big-Bang, a matéria e a antimatéria foram produzidas em quantidades iguais. Como uma deveria anular a outra, em conseqüência, o universo não teria existido. No entanto, não foi isso que aconteceu: ocorreu um pequeno desvio de uma partícula suplementar de matéria para cada 10 bilhões de partículas de antimatéria. Foi essa descoberta da ruptura espontânea de simetria na física subatômica pelo físico norte-americano de origem japonesa Yoichiro Nambu que permitiu explicar a razão pela qual o nosso universo sobreviveu. Seus trabalhos forneceram a base para a teoria do modelo padrão que procura descrever o comportamento das partículas elementares durante a formação do universo. Logo depois Big Bang há 14 bilhões de anos.
Por outro lado, os dois outros pesquisadores japoneses Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa explicaram que a ruptura de simetria no modelo padrão pré-supunha a existência de três famílias de quarks na natureza. Desse modo, eles previram a existência de dois novos tipos de quarks: botton e top que foram detectados posteriormente, em 2001, por detectores de partículas nos EUA e no Japão – o que confirmou a descoberta dos dois novos tipos de partículas previstas três decênios antes.
Para melhor compreender a importância das descobertas desses três pesquisadores japoneses, é conveniente lembrar que a formação da matéria no universo existia sob a forma de uma sopa densa e quente chamada de plasma quarks-glúons. Foi logo após o Big Bang, durante o desaquecimento das partículas chamadas quarks, que se aglutinaram em prótons, nêutrons e outras partículas. A grande questão para explicar os primeiros momentos do Big Bang era a simetria que constitui um dos grandes enigmas da física. Agora, teoricamente, solucionada pelos três prêmios Nobel japoneses.
Quinta-Feira, 09 de Outubro de 2008 - 02:00