Woodstock TRILHA SONORA A inesgotável efeméride dos 40 anos de Woodstock ao menos serviu para levar aos cinemas o ótimo longa de Ang Lee (Aconteceu em Woodstock) sobre os bastidores do mítico festival. E trazer de volta às prateleiras o registro original do evento. Remasterizado pelo engenheiro de som Eddie Kramer, responsável pela gravação de 1969, o repertório divide em dois CDs duplos o conteúdo lançado em três LPs – um com a trilha presente no oscarizado documentário de Michael Wadleigh (que também foi relançado) e outro vinil duplo com músicas que ficaram de fora do filme. Além de apresentações sempre lembradas, como as de Jimi Hendrix (com a dobradinha instrumental do hino americano e Purple haze que segue arrepiante quatro décadas depois), Santana, The Who, Jefferson Airplane, Crosby, Stills, Nash & Young e Joe Cocker, os discos trazem à memória nomes fundamentais para o evento, como Country Joe McDonald, Canned Heat, Sha Na Na e Melaine, outra representante do folk junto a Joan Baez. Os shows rivalizam em emoção com a gravação do áudio do público cantando o tema de Hair Let the sunshine in.
(Nelson Gobbi)
Them Crooked Vultures THEM CROOKED VULTURES A superbanda formada por Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters), Josh Homme (Queens of the Stone Age) e John Paul Jones (Led Zepellin) supera as expectativas com o debute, que brilha sem apelar para virtuosismos. Com riffs poderosos na coluna vertebral da maioria das canções e timbres impecáveis, a banda consegue ser criativa pela repetição, trazendo um som mais cru e menos firulas do que se esperava. O disco atinge seu ponto alto na energética Elephants, cuja introdução de quase um minuto e meio justifica cada segundo. (Philippe Noguchi
Chorume NUMISMATA No limite tríplice entre o rock, o samba e a famigerada “vanguarda paulista”, o grupo assinala uma eclética continuação para seu disco de estreia, Brazilians on the moon (2003). Incorporam rapidamente um Radiohead abrasileirado em Todo o céu e essas pequenas coisas e aproximam-se da melancolia dos Los Hermanos com O inferno e um pouco mais, mas tudo sempre com personalidade. Luiz Melodia (que canta em Prejuízo) e Maria Alcina (que surge em A vida como ela é) dão o aval.
(Marco Antonio Barbosa)
Reality killed the video star ROBBIE WILLIAMS Em seu primeiro disco de inéditas em três anos, RW contou com o produtor Trevor Horn (Pet Shop Boys, Art of Noise) para criar um trabalho rachado ao meio. Numa metade – a mais divertida – o crooner ataca no front da disco music revisitada (Deceptacon,Starstruck e Superblind são exemplos), caprichando na canastrice. Na outra ponta, Williams tenta um pouco de tudo, indo do rock (Do you mind) ao baladão com piano e orquestra (Morning sun). Soa, então, mais “sério” e enfadonho.
Conselho gratuito: solta mais essa franga, rapaz. (Marco Antonio Barbosa)
Working men RUSH De volta, os sobreviventes progressivos voltam a quebrar o ritual de um álbum ao vivo a cada cinco discos e ressurgem compilando momentos dos últimos lançamentos gravados nos palcos, Rush in Rio, R30 e Snakes & arrows live, em capa que mistura elementos dos três discos (repare no Cristo Redentor ali em cima). Acaba soando algo meio burocrático, com cara de fim de festa, mas adianta dizer isso aos fãs? Já os recémconvertidos ganham uma coletânea com belezas como Closer to the heart, 2112 e Tom Sawyer. (Ricardo Schott)
Michael n’bossa VÁRIOS Quando todos imaginavam que o máximo em matéria de exumação comercial seria o documentário This is it, surge um CD com versões em bossa nova com hits de Michael Jackson.
A proposta não acrescenta nada à obra do astro americano muito menos ao ritmo brasileiro, e transforma músicas como Billie Jean e Rock with you num lounge desbotado de elevador. Isso sem falar das versões para duas das maiores músicas pop de todos os tempos, Don’t stop till get enough e Thriller, quase irreconhecíveis sem o vigor concebido por Jackson e pelo produtor Quincy Jones (Nelson Gobbi)
É questão de quê? DUGHETTU Bem, é questão de várias coisas: originalidade, um pouco de senso de humor, um pouco mais de malandragem na construção das bases sonoras. A rigor, não há de errado com o disco de estreia de dupla de hip hop carioca. Mas falta ao rapper Marcello Silva rimas mais inventivas e alguma variação nos temas (favela, violência, etc.). E ao DJ Nino, bom de scratch (como pode se ouvir em Realidade carioca), falta calibrar melhor a produção de Plínio Profeta, que atira em muitos alvos – rock, samba, funk – e acerta pouco.
(Marco Antonio Barbosa)
Terça-feira, 17 de Novembro de 2009