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Jornal do Brasil - O primeiro jornal brasileiro da internet



Índice - Caderno B

Existe uma retomada, diz organizador da compilação

Quando Nelson de Oliveira começou a pesquisar a produção de FC no Brasil, pensou que estaria pisando em território virgem. Mas o escritor se surpreendeu com uma gigantesca tribo de seguidores, que ainda permanece invisível aos olhos de boa parte da indústria cultural.

– Percebi que há inúmeros autores e editoras pequenas publicando – conta. – Existe uma retomada.

As editoras estão relançando Isaac Asimov, Philip K. Dick e Ray Bradbury. Falta agora investir nos expoentes brasileiros e mostrar que eles existem.

O boom pode ser comprovado com uma consulta ao Orkut, onde os espaços de discussão e trocas sobre o gênero se multiplicam, alguns com mais de 5 mil membros (vide as comunidades Escrever Ficção Científica, Pós-Cyber, New Weird Fiction e até uma dedicada ao escritor André Carneiro). Hoje, já existem editoras especializadas (como a Tarja Editorial e a Giz), enquanto outras, como a Devir, dedicam selos ao estilo.

Referência da FC no Brasil, o paulista Roberto de Sousa Causo acredita que o mercado no Brasil é esporádico, mas tornou-se mais constante graças ao interesse do público pela literatura de fantasia.

Mesmo assim, continua minoritário em relação a esta última. O perfil atual do leitor do gênero é específico: relativamente jovem, preparando-se ou exercendo uma profissão da área da ciência e tecnologia ou então um profissional liberal interessado no gênero.

– O maior problema para a ficção científica foi o fim das coleções – diz o escritor. – O leitor habitual não encontrava mais um lugar onde pudesse voltar sempre e descobrir novos autores. Com a internet, porém, os escritores descobriram uma vitrine.

Mesmo sem muita tradição, a FC brasileira possui características próprias – ou melhor, uma vertente tropical e subdesenvolvida. O colonialismo e o neocolonialismo são temores que aparecem desde o século 19 no subtexto das mais diferentes tramas fantásticas. Sousa Causo, por exemplo, tem uma série de obras que se passam na Amazônia, como Terra verde (2001) e O par (2008), e que usam a invasão alienígena como metáfora para problemas como a biopirataria.

– Existem vários modos brasileiros de fazer FC – diz Sousa Causo. – As estratégias para entender a posição do Brasil são muitas, como o ambiente do país, sua posição no mundo, e até o diálogo com a sua literatura.

Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009









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