Ela chega esbaforida de vestido colorido e botas.
Maria é uma bela poeta na flor dos 30 anos. É autora de dois livros, Substantivo feminino, esgotado, e Bendita palavra, na segunda tiragem, e é também montadora de cinema, profissão que aprendeu em casa, com os pais. Sonha em preparar um show de poemas, mas, tempo para isso, ela não tem. Nem em sonho...
POESIA
Carioca, filha do cineasta Sérgio Rezende e da produtora de cinema Mariza Leão, ela ama cinema, mas é caseira demais para ficar acampada num set de filmagem.
Fez literatura na PUC, mas só escrevia para uso interno. Foi aos 16 anos que ela conheceu, estupefata, a poesia de Elisa Lucinda, no espetáculo O semelhante.
Tempos depois, descobriu que a Elisa dava aulas de dizer poesia sem empolação e foi correndo! Falar poemas dos outros acordou a poeta adormecida. Um dia, tomou coragem e mostrou seus poemas para Elisa, que disse: "Isso é seu? É muito bom!". E foi assim que o mundo viu nascer a poeta Maria.
Nos selecionados e bombados saraus na casa da Elisa, Maria é estrela de primeira grandeza, ao FOTOS MARCELO FAUSTINI lado de Viviane Mosé, Mano Mello e da anfitriã. As pessoas pedem seus poemas pelo nome, como se fossem canções.
Habituée da casa, a cantora Ana Carolina adora tanto os poemas de Maria que escreveu a orelha de seu Bendita palavra.
Durante três anos, ao lado do "namorido" Rodrigo Bittencourt, Maria agitou a Laura Alvim com o projeto multimídia Te vejo na Laura. Pegou o jeito da coisa, se lançou.
Foi a necessidade que a fez transformar a farra caseira de montar filmes em fonte de renda. Acabou se afeiçoando aos filmes e hoje está maravilhosamente bem dividida entre seus dois amores.
Montadora de filmes freelancer, especialista em traillers, ela corre de um lado para o outro para dar conta de tanta poesia.
Afinal, montar um filme é quase como fazer um poema.
Domingo, 4 de Outubro de 2009