Carta para mein lieb, lá no além
Fausto, mein lieb wolffenbitle, parece que não mas já faz um ano que nos deixaste para observar tudo aí de cima, sem a urgência dos fechamentos e deadlines...
Que ironia, pois foi noutro dia que voce me cobrou pelo desenho que não eternizei na parede da sua casa, aquela parede branca que nos contemplava como um templo impróprio do nosso tempo que passava...
Meu consolo (epa!) é que daí você pode ver tudo melhor, sem pressa de julgar, já sabendo a priori dos desenvolvimentos absolutamente previsíveis de tudo o que estava por vir; o pit-bull de batom sendo sodomizado pelo vira-latas do Obama, o Zé Ribamar do Sir Ney singrando rio acima até o coração do Luiz Inácio, a Carla Bruni, la femme de la patrie do Sarkozy, essas coisas todas. Ignóbeis, como estes dias que correm.
Mas é bom que você saiba, ainda hoje procuro você no jornal. Eu e mais um séquito de adoradores que, assim como eu, sabem que, por mais distante que estejas da estante, reinas soberano sobre nós e por sobre todos os desvalidos que, como você, foram chamados pra cima mais cedo.
Pela inconsequência de nossos atos e de alguns bem mais poderosos do que nosotros, incluindo Hugo Chaves y sus Correas sin Morales.
A Mônica, querida, está se refazendo, meu irmão virando rei da noite com o Cabaré Caruso e eu sigo o baile.
O Jaguar vez em quando chama um Underberg pra celebrar e o Ziraldo lança mais um livro, um filme ou o que quer que seja, enquanto espera a hora pra te encontrar e fazer as pazes.
Como diria o triste bluesman Cassiano, naquela balada triste, “...mais um ano se passou, e nem sequer ouvi falar seu nome...” Um beijo nessa vasta bochecha.
Sábado, 5 de Setembro de 2009