Natalia Pacheco
O Itaú Unibanco fechou acordo vcom a Porto Seguro para assumir 30% de um grupo mais amplo de seguros. O maior banco privado do país vai transferir os ativos e passivos da carteira de seguros residenciais e de automóveis para uma nova empresa, chamada Itaú Unibanco Seguros de Automóvel e Residência, que será controlada pela seguradora.
A assinatura do acordo aconteceu no último domingo, dois dias depois de a Porto Seguro divulgar o fim das negociações de uma possível associação com o Bradesco.
– As negociações começaram no dia 14. Tudo aconteceu em menos de duas semanas porque as empresas têm a mesma visão do mercado – ressaltou o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal.
Ao final de junho, o patrimônio dos negócios do Itaú Unibanco em seguros de carros e residências era de R$ 950 milhões, enquanto o da Porto Seguro estava em R$ 2,1 bilhões. Assim, o patrimônio líquido do novo grupo segurador será de R$ 3 bilhões.
A fusão das operações vai criar um conglomerado com prêmios de R$ 2,32 bilhões em veículos e de R$ 198 milhões em residências.
A negociação não envolveu dinheiro, apenas transferências de ativos e participação acionária, mas Setubal calcula que o valor da operação seja de R$ 1,7 bilhão. Segundo o presidente, o objetivo da fusão foi criar uma seguradora maior, coma mais opções de produtos e preços.
– Serão agregados mais 4.500 novos pontos de vendas do Itaú Unibanco à Porto Seguro. Isso é uma oportunidade única – destacou o presidente da seguradora, Jayme Brasil Garfinkel.
Próximo ao líder Para o professor e consultor de seguros da Universidade Estácio de Sá, Júlio Cezar Pauzino, a união da Porto Seguro com o Itaú Unibanco aproxima a nova empresa do líder do mercado de seguros, o Bradesco.
– Nesse caso, juntou a fome com a vontade de comer. A Porto Seguro tem muito talento nesse mercado e o Itaú Unibanco possui a expertise de vendas de produtos – explicou o consultor.
Depois do fechamento desse negócio, Pauzino prevê poucas oportunidades de negócios nesse mercado.
Por isso, as próximas fusões serão bem mais caras, o que vai aumentar a oportunidade de grupos estrangeiros no país.
– São os estrangeiros quem vão fechar esses grandes negócios – diz Já o presidente da consultoria Global Brands, José Roberto Martins, vê a operação por um outro ângulo. Martins acredita que o negócio é um sinal de que o Itaú Unibanco está atento aos avanços do Banco do Brasil – o maior do país em termos de ativos –, que negocia uma associação com a Sul América Seguros e Previdência.
– O banco quis dizer que não está a fim de ser ultrapassado mais uma vez – afirmou Martins.
Além disso, outro movimento captado pelo especialista foi a decisão do Bradesco não levar adiante as negociações com a Porto Seguro.
Para Martins, o banco prefere perder a posição de líder do mercado para não expor a carteira de ativos, mas crescer de forma orgânica, ou seja, ganhar no individual e com isso mais musculatura.
Nova empresa Após a transferência total dos ativos e passivos de seguros em veículos e residências do Itaú Unibanco, os controladores da Porto Seguro e do banco vão criar uma nova empresa, a holding Porto Seguro Itaú Unibanco Participações SA (Psiupar). Os controladores da Porto Seguro vão ficar com 57% da empresa e o banco com os 43% restantes.
A Psiupar vai deter 70% da Porto Seguro SA, listada no Novo Mercado da Bovespa, enquanto os outros 30% ficarão em circulação no mercado. Com isso, os demonstrativos do banco vão contabilizar os proventos referentes a essa participação.
Além disso, o Itaú Unibanco vai receber uma comissão sobre as vendas de seguros feitas pela sua rede, mas o valor não foi revelado.
Pelo acordo, o banco poderá indicar dois dos sete membros do Conselho de Administração da nova seguradora.
Apesar da parceria só dizer respeito à automóveis e residências, o presidente do banco, não descarta negociações com outros tipos de seguros no futuro.
– Ainda estamos nos conhecendo.
Mas se o banco quiser novas parcerias, a Porto Seguro será a primeira empresa a ser procurada – afirmou Setubal.
A conclusão da operação depende da aprovação da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do Sistema Brasileiro de Defesa de Concorrência (SBDC ).
A fusão das operações vai unir prêmios de R$ 2,32 bilhões em veículo
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009