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Índice - Caderno B

Comer, rezar, amar. E depois? Casar

Motoko Rich THE NEW YORK TIMES 

Um ano depois de jogar fora uma sequência de 500 páginas que havia feito para Comer, rezar, amar – viagem espiritual de Elizabeth Gilbert que virou best-seller – a autora concluiu um novo livro que a Viking vai publicar em janeiro. Intitulado Committed: a skeptic makes peace with marriage (“Comprome tida: uma cética faz as pazes com o casamento”, em tradução literal) o livro é a memória de um ano tumultuado que se seguiu ao fim de Comer, rezar, amar – bem como uma reflexão sobre o casamento.

Para Elizabeth, de 40 anos, o livro, que conta como ela casou com seu amante nascido no Brasil (que ela conheceu na Indonésia em Comer, rezar, amar) não foi apenas uma memória sincera do que aconteceu e de como ela se sentiu em relação à história.

Explorando a profunda ambivalência dela em relação ao casamento – tendo prometido não casar de novo depois do divórcio doloroso que deu origem às viagens contadas no primeiro livro – a escritora leu estudos históricos e sociológicos.

Elizabeth também entrevistou membros da família e amigos e falou com pessoas que ela e José Nunes (então companheiro dela, chamado Felipe no livro), conheceram durante 10 meses no sudeste da Ásia. Em Committed, ela entrelaça as reflexões com as próprias experiências.

– Se é uma sequência? Sim e não – disse Elizabeth numa entrevista por telefone da casa deles em Frenchtown, Nova Jersey. – Os dois personagens são os mesmos, mas o ambiente e o pano de fundo são muito diferentes. O segundo livro tem mais contemplação acadêmica e fala mais da minha família.

Com o sucesso fenomenal de Comer, rezar, amar (passou 57 semanas no primeiro lugar da lista dos livros de não-ficção mais vendidos do New York Times e continua na lista) o novo título será lido pelos fãs e por editores para ver se Elizabeth ainda tem poder.

A Viking, editora ligada ao Penguin Group, que publicou Comer, rezar, amar em 2006, está anunciando uma primeira edição de Committed com um milhão de cópias em capa dura. (Apesar de esses números serem amplamente exagerados, eles indicam as ambições da editora). De acordo com o levantamento Nielsen BookScan, que acompanha cerca de 70% das vendas, Comer, rezar, amar vendeu quase quatro milhões de cópias em capa dura.

Quando Elizabeth assinou um contrato para dois livros com a Viking para um romance e outra obra de não-ficção em 2006, seu livro anterior tinha acabado de ser publicado em capa dura, recebendo resenhas positivas. Mas ainda não havia atingido vendas impressionantes.

Elizabeth achou que queria escrever um romance sobre a Amazônia, e teve uma idéia mais amorfa para um livro de não-ficção sobre criatividade.

Mas em maio daquele ano, contou a escritora, Nunes foi detido em Dallas quando o casal retornava de uma viagem à França. Depois de horas de interrogatório, autoridades de imigração disseram ao casal que a forma mais simples de Nunes ter permissão para voltar ao país era se eles se casassem.

Com divórcios na bagagem, nenhum dos dois queria casamento.

Mas eles queriam construir uma vida nos EUA. Nunes já tinha estabelecido uma empresa importando pedras preciosas e joias para os EUA, e Elizabeth desejava ter uma residência perto da família americana.

Enquanto esperavam esclarecer os entraves burocráticos para Nunes ter direito de entrar novamente nos EUA, o casal viajou para a Austrália, Bali, Camboja, Indonésia, Laos, Tailândia e Vietnã.

Nesse exílio surgiu a ideia de um livro sobre casamento.

– Passei cerca de 10 meses tentando aprender o máximo possível sobre esse hábito humano frustrante, contraditório e, no final das contas, interessante – diz Elizabeth.

– Eu estava tentando tomar uma decisão sobre a ideia de casar, ou ganhar perspectiva suficiente para sentir que eu podia falar sobre o assunto sem soar forçado.

O casal finalmente conseguiu permissão para Nunes entrar de novo nos EUA em 2007, e eles se casaram naquele ano. Elizabeth começou a escrever um livro que chamou temporariamente de Wed dings and evictions (“Casamentos e despejos”, em tradução literal). No fim de 2007, a Viking começou a promover o vindouro livro na contracapa de 200 mil cópias de Comer, rezar, amar descrevendo como uma memória sobre a “jornada inesperada rumo a um segundo casamento” de Elizabeth e prometendo publicação em 2009.

Quando terminou de escrever em maio de 2008, ela o levou para uma gráfica para imprimir uma primeira versão. Assim que começou a folhear, ficou horrorizada.

– Foi diferente da ansiedade e inseguranças que você sente quando está escrevendo algo – diz – Era incontestável.

Sem mostrar o manuscrito para Paul Slovak, publisher da Viking e editor de Elizabeth, ela escreveu pedindo adiamento para a data de entrega. Slovak, apesar de preocupado com a demora na publicação da sequência do blockbuster, deu a ela mais um ano.

Elizabeth nunca conseguiu ler a primeira versão inteiramente. Ela identificou o problema como confronto de duas vozes.

– A primeira voz foi uma “ressaca” de Comer, rezar, amar – lembra a autora, referindo-se ao tom inThe New York Times teligente e informal que deu a Elizabeth boas resenhas e fãs fieis. – A outra voz era mais sóbria e preocupada, confiante e madura.

Depois de seis meses de descanso, Elizabeth decidiu que poderia escrever de novo, desta vez usando o que ela acreditava ser uma voz mais autêntica.

– Eu temia que todas as pessoas que adoraram Comer, rezar, amar não quisessem ler esta nova voz. – afirma. – Mas eu sabia que se não fizesse daquele jeito, seria apenas um livro ruim.

Slovak, que nunca viu a versão original, diz que o novo livro, com cerca de 300 páginas, manteve o tom familiar da obra anterior.

– Sem dúvida a voz dela nesse novo livro – conta.

Elizabeth sabe que receberá algumas críticas quando começar a divulgar a nova memória.

– Há algo muito assustador em ter milhões de pessoas esperando para ver o que você vai fazer depois – observa. – As pessoas mas também têm suas expectativas. Mas as impossibilidades de atender às expectativas de milhões de pessoas são bem conhecidas.

Autora acabou casando com o namorado para que este pudesse viver nos EUA

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009









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