Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2001
ACM joga com provas que diz ter

ANTÔNIA MÁRCIA VALE

Fernando Bizerra Jr.
ACM

Antonio Carlos continua prometendo provas de corrupção

BRASÍLIA - Agência JB

O parlamentar que quiser saber se o senador Antonio Carlos Magalhães tem mesmo provas sobre suas denúncias de corrupção no governo vai ter de assinar o pedido de CPI do Congresso, apresentado pelo líder da oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE). Dutra pediu a CPI para investigar as denúncias feitas pelo próprio Antonio Carlos e pelo presidente do Senado, Jáder Barbalho (PMDB-PA). A outra opção apresentada pelo senador baiano é levá-lo ao Conselho de Ética do Senado.

Da Flórida, onde continua descansando, o senador avisa que essas são as únicas situações em que ele mostrará qualquer prova. O senador sabe que a base governista vai fazer tudo o que puder para evitar uma CPI da corrupção; seria dar a ele ainda mais espaço para fazer estragos políticos no governo. O primeiro movimento neste sentido foi feito na sexta-feira pelo ex-secretário geral da Presidência da República, Eduardo Jorge Caldas Pereira, que prometeu entregar ao senador Jáder Barbalho, logo após o carnaval, suas movimentações bancárias e de sua esposa em 1994 e 1998. Mas o senador pefelista desdenha: ''Em 10 de setembro do ano passado, ele (Eduardo Jorge) prometeu apresentar os documentos e depois me disse que não poderia''.

A articulação para reduzir a visibilidade do senador Antonio Carlos Magalhães passa também por deixá-lo longe do trabalho das comissões temáticas do Senado. Antes da conversa com os procuradores ter sido vazada, o senador pleiteava a presidência da Comissão de Constituição e Justiça ou da Comissão de Fiscalização e Controle. Agora, já admite que não vai ter nenhuma delas.

''Sei que agora o presidente Fernando Henrique vai dizer ao Bornhausen (senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL) que não faça nada'', avalia ACM, afirmando que não contará com a força de seu partido na divisão das comissões. ''Mas não tem problema, eu tenho que participar das comissões e não precisa ser como presidente'', afirma o senador, deixando claro que não vai se deixar isolar.

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