Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2001
Diplomacia democrática

Novo Chanceler defenderá na posse que Itamarati seja mais aberto à sociedade

SONIA CARNEIRO

Davi Zocoli

Antes mesmo de tomar posse, o chanceler Celso Lafer já ajudou a criar um novo departamento no Itamarati: o de Contenciosos

BRASÍLIA - O novo chanceler Celso Lafer defenderá hoje, às 11h, em seu discurso de posse no Palácio do Planalto, uma diplomacia participativa, mais aberta ao Congresso, às entidades civis da sociedade e aos empresários, com prioridade nas áreas econômica e de promoção comercial. A transmissão do cargo será às 15h030, no Itamarati.

Celso Lafer pretende visitar com freqüência as comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado e manterá encontros com empresários e sindicalistas. O chanceler espera também promover uma ação coordenada de reforço ao papel da pequena e média empresa na área das exportações.

Em reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso e a cúpula do Itamarati, no fim de semana, Celso Lafer acertou a criação de um novo departamento no Ministério das Relações Exteriores para cuidar das batalhas comerciais que estão sendo travadas na Organização Mundial de Comércio (OMC): é o Departamento dos Contenciosos, que tratará das principais controvérsias internacionais do país - por exemplo, entre a Bombardier (empresa canadense de aviação) e a Embraer ou a disputa entre Brasil e Estados Unidos sobre a Lei de Propriedade Intelectual e das Patentes.

Professor da Universidade de São Paulo, Celso Lafer, que não é diplomata de carreira, foi por seis meses ministro do Desenvolvimento, em 1999. Ele manterá a posição brasileira de defesa da liberdade comercial na próxima rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio.

No Mercosul, uma das prioridades será o relacionamento com a Argentina. Mas o novo ministro já adiantou que o governo brasileiro não apoiará a posição argentina em favor da antecipação, para 2003, da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

A luta pela redução do protecionismo dos Estados Unidos como caminho para a participação do Mercosul na Alca será avaliada por Celso Lafer. ''Não adianta rosnar grosso para depois piar fino'', afirmou em recente entrevista. O chanceler quer mais um ano de prazo, depois do encerramento das negociações, para o início das operações da Alca. Mas concorda com a data de 2005.

Anterior Próxima

ENVIAR MATÉRIA| IMPRIMIR                                                                                                   

EXPEDIENTE
Copyright© 1995, 2000, Jornal do Brasil, Primeiro Jornal Brasileiro na Internet