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Horário de verão: economia e segurança


Silas Rondeau

Ministro de Minas e Energia

Este ano, o horário de verão vai vigorar nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, por um período de aproximadamente quatro meses. Além de o país deixar de consumir 2.340 MW (megawatts), o novo horário vai reduzir significativamente os riscos de queda de energia e aumentar a confiabilidade de todo o sistema interligado nacional.

A adoção da medida é uma prática comum em todo o mundo. No Brasil, a medida começou a vigorar no verão de 1931 e durou cinco meses. Da versão inicial até 1967, o sistema de horários diferenciados foi instituído nove vezes. Em 1985 ressurgiu e vem sendo adotado até hoje sem interrupções. No total, foram assinados 31 decretos instituindo o horário de verão.

É, sem dúvida, uma medida necessária porque praticamente elimina os riscos de sobrecarga do sistema no horário de ponta - que é o pico de consumo de energia - entre 19h e 22h. O horário de verão ainda reduz a utilização de energia com geração térmica, cujo custo, devido ao consumo de óleo diesel, é sempre mais elevado do que a geração por hidrelétricas. Ao reduzir a demanda por energia, a medida propicia a redução entre 4% e 5% do consumo, o que também evita desligamentos eventuais em alguns pontos do país.

É importante destacar que a adoção do horário de verão se baseia no maior aproveitamento da iluminação solar, pois implica a redução do período noturno, onde concentra-se o excesso de consumo de energia residencial, industrial, comercial e de iluminação pública. Na prática, o consumo máximo fica retardado em cerca de uma hora e seu valor é atenuado. É uma redução que resulta em economia para a sociedade, uma vez que dispensa aumento de tarifas com vistas a garantir recursos financeiros para investimentos com esse fim específico.

O aumento do consumo residencial no fim da tarde, a entrada da iluminação pública, o incremento da produção industrial, característico dessa época do ano, com o elevado número de encomendas do comércio para o Natal, além da elevação da temperatura com a chegada do verão, resultam em aumento da ocorrência da demanda máxima do sistema. Desta forma, a adoção do horário de verão contribui para a redução desse valor, portanto, seu principal efeito é a queda da demanda no horário de ponta.

À medida que se caminha para o Sul do país, o período de luminosidade natural começa a apresentar variações significativas em função da época do ano, o que possibilita um melhor aproveitamento da luz do dia durante o verão. A duração do dia é maior quanto mais ao Sul do Brasil está a localidade. Assim, a variação da duração do dia, em função da época do ano, é bem maior em Porto Alegre do que em Belém, por exemplo. Na capital gaúcha a noite chega a começar por volta da 21 horas.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) já fez os cálculos. No Centro-Oeste e Sudeste, haverá uma redução de 1.800 MW, o que representa 4,6% da demanda no horário de ponta nessas regiões. Isso equivale à soma da demanda da região metropolitana de Belo Horizonte e da cidade de Florianópolis. Já no Sul, a redução deverá ser da ordem de 540 MW, 5% do total da região, equivalendo a 80% da carga no horário de ponta de Porto Alegre.

Em que pese algum desconforto inicial aos trabalhadores que começam suas jornadas de trabalho nos horários mais cedo do dia, essa redução de 4% a 5% no consumo nacional de energia gera inúmeros benefícios ao setor elétrico e ao país. Quando a demanda diminui, as empresas públicas e privadas que operam o sistema conseguem prestar um serviço melhor ao consumidor, já que os troncos das linhas de transmissão ficam menos sobrecarregados.

A importância do horário de verão pode ser comprovada em outros países que também fazem a mudança no horário convencional para aproveitar a luminosidade e economizar demanda de energia elétrica. Na Austrália, por exemplo, sua abrangência também é seletivamente estudada e não se aplica às regiões Norte e Oeste. No restante do país, o novo horário inicia-se no último domingo de outubro e termina no último domingo de março.

O Paraguai, apesar de ter abundância de energia proveniente de Itaipu, estabeleceu, em 5 de março de 2004, a vigência permanente do horário de verão, a partir do terceiro domingo do mês de outubro de cada ano, até o segundo sábado do mês de março do ano seguinte. Na maioria da União Européia a vigência da medida vai de março a outubro. Nos Estados Unidos, Canadá e México o horário é adotado entre os meses de abril e outubro.


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[12/SET/2005]


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