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Muitos graduados para poucos empregos
Apenas 10% dos profissionais com nível superior residentes na cidade arrumam trabalho no município
Luisa Belchior
Ao mesmo tempo que uma cidade universitária dentro de Niterói concentra 50 mil estudantes e é um dos maiores pólos de Ensino Superior do estado, o mercado de trabalho niteroiense para quem dá os primeiros passos após receber o diploma revela-se longe das marcas acadêmicas. A quase duas semanas do Dia do Trabalhador, a maioria dos recém-formados na cidade vai passar o 1º de maio sem uma assinatura de emprego em Niterói na carteira profissional. Estima-se que apenas 10% conquistem vagas de nível superior na cidade. Com as ofertas concentradas em cargos que exigem o Ensino Médio, segundo especialistas, a mão-de-obra jovem que Niterói qualifica é aproveitada fora dos limites da cidade.
Do total de jovens entre 15 a 25 anos, que representam 28,7% do total da população niteroiense, um terço é de baixa renda, segundo o coordenador da juventude da Secretaria Municipal de Assistência Social, Leonardo Simões. Apesar disso, Leonardo garante que os empregos na cidade estão muito mais voltados para essa camada. - Foram abertas muitas vagas nos setores de telemarketing, atendimento ao público e serviço interno. De resto, percebemos a reabertura da indústria naval, que exige qualificação técnica - avalia Leonardo Simões. Para o subsecretário municipal de Trabalho e Renda, Sérgio Leal, o empecilho para a conquista do emprego por jovens com nível superior na cidade é que as grandes vocações da cidade e empregadoras dessa mão-de-obra, como a indústria naval, exigem qualificações que a juventude ainda não tem. - Essa questão é muito complexa. Existem algumas vocações que a cidade tem e nelas o jovem não tem muita chance, porque exigem muito conhecimento, qualificação e aptidões específicas - avalia. A subdelegada regional do Trabalho, Vera March, faz coro a Leal, e diz que apenas 10% dos recém-formados até 24 anos conseguem empregos na cidade. - Niterói é uma cidade com muito serviço. Setores como o bancário geram vagas de emprego para a mão-de-obra de nível superior, mas o número de ofertas é insignificante pra quem se forma - afirma.
[15/ABR/2006]
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