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Ecos de um dia de terror
Promotoria divulga detalhes do que aconteceu dentro do avião que caiu na Pensilvânia durante os ataques de 11 de Setembro
ALEXANDRIA, EUA -
O júri que decide a pena do conspirador Zacarias Moussaoui ouviu ontem a dramática gravação de vôo que mostra os passageiros lutando contra os seqüestradores no avião que caiu na Pensilvânia em 11 de setembro de 2001. Nos últimos cinco minutos do vôo 93 da United Airlines, um passageiro convocava os demais a invadirem a cabine do piloto e dominar os terroristas:
- Se não, vamos morrer.
Foi a primeira vez que a fita de 30 minutos foi executada em público. O júri acompanhou atentamente as palavras dos sequestradores que pretendiam lançar o avião contra o Congresso dos EUA e dos passageiros que tentavam contê-los.
A juíza Leonie Brinkema decidiu que o áudio só poderia ser reproduzido no tribunal, a mídia recebeu apenas uma transcrição. A promotoria terminou de apresentar seus argumentos ontem. A partir de hoje, a defesa começa seu trabalho.
Moussaoui, membro confesso da Al Qaeda e única pessoa processada nos EUA em conexão com os ataques de 11 de Setembro, declarou-se culpado de seis acusações de conspiração. Agora, o júri decide se será sentenciado à morte ou à prisão perpétua.
O réu demonstrou pouca emoção no tribunal. Reclinou-se na poltrona e ouviu a fita, que começa com uma voz atribuída a Ziad Jarrah. Foi ele quem assumiu o comando do avião.
- Senhoras e senhores, aqui é o capitão. Temos uma bomba a bordo. Então, sentem-se - disse, às 9h31.
Há em seguida um ruído que parece ser de uma briga.
- Sentem-se, sentem-se - gritam os terroristas, em inglês.
Tripulantes não-identificados gritaram ''não'' várias vezes. Uma das vozes diz:
- Por favor, não me machuque! Oh, Deus! Não quero morrer - repete três vezes.
Durante o vôo, passageiros souberam pelos celulares que outros aviões haviam sido lançados contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington. Percebendo que faziam parte de um quarto atentado, alguns invadiram a cabine para enfrentar os seqüestradores. O barulho dá a impressão de que jogaram carrinhos de comida pelo corredor para arrombar a porta.
O piloto começa a chacoalhar o avião, e um terrorista manda cortar o oxigênio. Às 10h02, um seqüestrador grita:
- Devolva para mim.
A próxima fala, em árabe é ''Deus é o maior'', quatro vezes. Então, o som da estática.
[13/ABR/2006]
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