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Vigília nacional pela retirada das tropas
Mãe de soldado morto pede que país pare e acenda velas
CRAWFORD, EUA -
Cindy Sheehan, de 48 anos, que está acampada perto do rancho do presidente George Bush, em Crawford, Texas, conseguiu mobilizar milhares de simpatizantes ontem em torno de sua campanha pela retirada das tropas do Iraque. Pessoas de todos os cantos do país acenderam velas em mais de mil pontos de vigília pelos soldados americanos que perderam a vida no conflito, entre eles, o filho de Cindy, Casey, morto aos 24 anos ano passado.
- É impressionante como muitas pessoas estão deixando tudo para trás para cir para cá. Essa vigília é uma forma de permitir que todos possam participar - disse Cindy.
A americana, que a imprensa local agora chama de ''Furacão Cindy'', passou o dia recebendo mais apoio de pacifistas que foram até a cidade para pressionar o presidente Bush a recebê-la. Entre eles, pessoas de outros países, como a Austrália, cujo governo mandou soldados para o Iraque. Mas, até ontem, o presidente se mantinha firme na decisão de não receber a mulher que também tem sido comparada pela imprensa americana à Rosa Parks - em 1955, essa moradora do Alabama, negra, se recusou a ceder o lugar a um passageiro branco, foi presa e entrou para a história como a ''mãe do movimento dos direitos civis''.
Bush diz que se solidariza com a dor da mãe de Casey e insiste em repetir que todos os militares mortos em combate se sacrificaram por uma causa nobre. Cindy, por sua vez, diz que quer perguntar a Bush qual é, afinal, a causa nobre. Fontes da Casa Branca, citadas pela rede de tevê CNN ontem, explicam que o presidente até poderia sair e conversar com a líder do mais recente movimento contra a guerra ou, mesmo, aceitar o convite que ela já lhe fez para se juntar a outra vigília nacional, amanhã ao meio-dia - os manifestantes vão promover um ato ecumênico perto do rancho e pedem que os americanos façam o mesmo pelo país.
A questão é que ninguém nunca fez um protesto como o que Cindy iniciou, tão perto do rancho de Bush. Aceitar sua reivindicação e ceder à pressão na porta de casa pode abrir um precedente e transformar os descansos presidenciais num inferno, atraindo para lá todos seus opositores.
Agora, o grupo liderado pela americana está se preparando para se mudar para uma área ainda mais próxima do rancho de Bush - a cerca de dois quilômetros. Acampados à beira da estrada, os manifestantes têm sido alvo da hostilidade de vizinhos do presidente, que pediram às autoridades locais para impedir a realização de protestos na área. Mas, antes que fosse anunciada qualquer decisão, um morador da região, Fred Mattlage, ofereceu seu próprio rancho para abrigar o grupo. A mudança deve começar hoje.
[18/AGO/2005]
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