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Cindy Sheehan, o não à guerra em pessoa

Americana acampada perto de rancho do presidente americano vira líder de campanha nacional pelo retorno das tropas

Quando chegou a Crawford, no Texas, no último dia 7, Cindy Sheehan, 48 anos, pode ter parecido mais uma mãe de luto porque perdeu o filho, Casey, para a guerra de George Bush no Iraque. Mas foi ficando ali na porta do rancho onde o presidente passa as férias e, mesmo ignorada, Bush não a recebe de jeito nenhum, acabou dando um rosto ao descontentamento de boa parte do país com a guerra.

Hoje, os americanos vão acender velas por todo o país pelos mortos no conflito, e, na sexta-feira, os quase 200 manifestantes que se reuniram a Cindy na porta de Bush convocam a nação para uma prece, também pelos soldados americanos que perderam suas vidas. Há quem diga que Cindy há de levar a Casa Branca a discutir objetivamente a retirada dos soldados mais cedo do que imagina.

O único jornal de Crawford, The Lone Star Iconoclast, já publicou artigo comparando Cindy às mães da Praça de Maio, grupo que nasceu para exigir respostas sobre os desaparecidos durante a ditadura na Argentina. ''O presidente pode continuar a ignorar Cindy Sheehan. Pode até mandar prendê-la por ameaça à segurança nacional. Mas vai haver outras Cindy Sheehans. E, como na Argentina, a verdade vai prevalecer'', diz o trecho de um dos artigos do jornal, que, segundo o editor-chefe, Leon Smith, é ''independente''.

No caso de Cindy, ela já disse que só quer uma coisa de George Bush

- Eu quero saber por que causa nobre meu filho morreu - diz a americana, referindo-se ao que sempre diz o presidente americano em discurso quando comenta as baixas no seu exército.

Quanto à sua vida pessoal, a mãe de Casey já está pagando a conta por sua determinação. Seu marido, Patrick Sheehan, entrou com pedido de divórcio na última sexta-feira por ''divergências irreconciliáveis''. Também tem despertado a ira dos vizinhos de Bush, que ontem pediram oficialmente às autoridades locais para encontrar um jeito de restringir o direito de ir e vir dos manifestantes. Basicamente, eles acham que não deveria ser permitido o tumulto no meio da estrada e chegam a dizer que a presença do grupo ali coloca a vida dos filhos em perigo.

- Nós e nossos filhos também temos direitos civis e nós achamos que eles estão sendo seriamente desrespeitados agora - disse um dos moradores da região, John Laufenberg.

Na verdade, o que eles querem é que as autoridades locais transformem a região próxima ao rancho de Bush em área de estacionamento proibido. Querem evitar o tumulto causado pela presença dos manifestantes em si e pelos próprios motoristas que engarrafam o trânsito ao diminuir a velocidade só para ver o que está acontecendo ali. Os descontentes de Crawford entregaram um abaixo-assinado com 60 assinaturas à comissão do condado de McLenna, onde Crawford fica. Se forem atendidos, Cindy e o grupo terão que sair de onde estão e ir para a cidade, a alguns quilômetros.

Nada foi feito ainda, e um dos poucos vizinhos que não é republicano, Fred Mattlage, ofereceu um pedaço de seu próprio rancho para abrigar o grupo, que vai ficar um pouco mais perto de Bush depois que se mudar.

A oferta veio horas depois de um radical ter passado com sua camionete por cima das cruzes de madeira que foram espalhadas à beira da estrada em homenagem aos soldados mortos no Iraque. E depois de outr, ainda mais radical, ter dado tiros para o alto ontem em protesto pela presença dos simpatizantes da causa de Cindy.


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[17/AGO/2005]


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