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Equador troca George Bush por Hugo Chávez
Perda de influência surpreende e irrita americanos
Clara Cavour
[14/AGO/2005]
O projeto bolivariano do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ganhou força com a aproximação do novo presidente do Equador, Alfredo Palacio, que recentemente firmou acordos energéticos com Caracas. O ''namoro político'' é o ápice da reviravolta equatoriana, que mantinha, até o governo de Lucio Gutierrez, deposto em abril, uma política de forte alinhamento aos Estados Unidos. Agora, Quito se integra à linha populista da esquerda chavista. Nesse contexto, a ''diplomacia do petróleo'' do venezuelano tem sido elemento aglutinador.
Com a mudança, os EUA viram se afastar um importante aliado na região. Em um dos primeiros atos, Palacio suspendeu a cooperação oferecida pelo antecessor ao Plano Colômbia, retirando, inclusive, tropas da fronteira. A militarização havia sido acordada para conter a infiltração de rebeldes marxistas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acusadas por Washington de receber apoio ideológico de Chávez.
No campo diplomático, o afastamento do Equador também já está evidente. Palacio acaba de decidir retirar seu embaixador de Washington devido à demora do governo americano em aceitá-lo. A ''geladeira'' dos EUA seria, para Quito, retaliação à aproximação com Chávez, que se diz o maior expoente do sonho de Simón Bolívar. Palacio já afirmou que continuará a estreitar os laços com a Venezuela, independente da tensão criada.
- O Equador é um país que Chávez identificou como estando pronto para integrar seu projeto regional. O governo Bush não está satisfeito com esse aumento da influência da Venezuela - diz Michael Shifter, analista político e professor da Universidade de Georgetown.
A Venezuela é o quinto produtor de petróleo do mundo e, paradoxalmente, o maior exportador para os EUA. Para o presidente do instituto Inter-American Dialogue, Peter Hakim, ''a estratégia de Chávez é excelente'':
- Todos estão interessados em manter relações com um país produtor de petróleo que oferece vantagens. A questão é que, à medida em que aceitam uma relação comercial com Chávez, a possibilidade de expansão do antiamericanismo é grande - afirmou ao JB, de Washington.
O venezuelano estaria envolvido também, para a Casa Branca, na instabilidade política da Bolívia, onde o líder do Movimento ao Socialismo, o cocalero Evo Morales, é forte aliado do discurso antiimperialista, costurado por Chávez com acordos de cooperação energética.
Os pactos, assinados com países do Mercosul, da Comunidade Andina e do Caribe, visam a um projeto maior, político. Ao oferecer vantagens comerciais, Chávez reduz a esfera de influência dos EUA.
Os encontros de Chávez com o presidente argentino, Néstor Kirchner, o uruguaio Tabaré Vasquez, e com o presidente Luis Inácio Lula da Silva, esta semana, fazem parte de seus esforços. Os acordos estabelecem o fornecimento de petróleo a custo abaixo da cotação do barril no mercado, além da instalação de filiais da estatal Petróleos de Venezuela S.A.
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