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Em busca de mais poder

Silvio Berlusconi quer controlar o Corriere della Sera maior jornal do país

ROMA - O bilionário Silvio Berlusconi já é dono dos principais canais privados da televisão da Itália - grupo Mediaset - e detém três jornais diários e um semanário. Como primeiro-ministro, tem ainda poder sobre a rede de TV estatal, a RAI. Não satisfeito, o político agora está se movimentando para conseguir o con trole do Corriere della Sera,o maior e mais prestigiado jornal italiano, o que vai lhe dar, na prática, o monopólio sobre a opinião pública de seu país. A informação foi publicada ontem pelo jornal britânico The Independent, segundo o qual empresários aliados do premier estão comprando ações do Corriere.

Berlusconi nega veementemente que esteja tentando assumir o comando do diário milanês. Mas, desde janeiro, circulam no mercado financeiro rumores de que um rico agente imobiliário de Roma, Stefano Ricucci, adquiriu mais ações do RCS Mediagroup - que controla o jornal - do que qualquer outro sócio individual. A implicação do primeiro-ministro no negócio foi revelada pelo próprio diretor da Fininvest - o grupo financeiro de Berlusconi -, Ubaldo Livolsi, em entrevista ao Corriere, na segunda-feira. Isso dotaria o premier de poder num dos mais importantes veículos formadores de opinião na Itália. A tática, informa o Independent, é conseguir o controle acionário de 29,9% antes das eleições gerais de 2006.

- Não entendo bem o que está acontecendo, mas estou muito preocupado - afirmou o presidente da União Européia, Romano Prodi. - Os cidadãos não sabem com certeza se há um distanciamento entre interesses pessoais e poder político.

O líder europeu disse que há a possibilidade de a questão chegar à UE, se confirmada. Mas não acredita em polêmica: ''a opinião pública acaba se acostumando com tudo''.

- Existe uma doutrina democrática de que alguém com grandes interesses econômicos em um país não pode ter poder político. Como me dizia (o ex-chanceler alemão Helmut) Kohl: ''Não se pode ser rico e fazer política''.

No ano passado, Berlusconi sancionou uma lei subestimando a gravidade de conflitos de interesse na Itália - ao mesmo tempo em que parte da direção da RAI se demitia por discordar das intromissões do premier no conteúdo informativo da rede. Entretanto, mesmo não sendo crime, no mês passado Berlusconi tentou se distanciar das ambições de Ricucci:

- Garanto pela minha honra que não há interesse pela RCS por parte de meu grupo.

No mesmo discurso, o empresário e político criticou ''a inaceitável hostilidade'' contra as manobras de Ricucci, evidenciando não ter posição neutra sobre o agente imobiliário.

Os rumores aumentaram ainda mais esta semana, quando o colunista do Corriere, o diplomata aposentado Sergio Romano, alertou para ''a sombra do primeiro-ministro''. No artigo, o autor afirma que Ricucci já detém 19% das ações do diário e que o preço do papel não pára de subir por conta da especulação de tomada de poder.


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[11/AGO/2005]


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