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Bagdá, o mercado de sangue
[05/AGO/2005]
BEIRUTE -
O desemprego e o terrorismo no novo Iraque pós-Saddam geraram uma nova profissão: a de vendedor de sangue. Segundo a imprensa iraquiana, o sangue tornou-se um ''artigo'' requisitado em todo o país por causa dos múltiplos atentados que ocorrem todos os dias e deixam dezenas de mortos e feridos.
Os hospitais não conseguem cobrir as necessidades diárias apenas com as doações de sangue regulares, fa zendo com que fossem criados, clandestinamente, os ''bancos de sangue privados'', que funcionam sob o comando de mediadores que recrutam ''doadores de sangue sob pagamento''. As negociações ocorrem principalmente na frente do prédio do Centro de Transfusões da Cidade de Medicina de Bagdá, onde muitas pessoas esperam para doar sangue para um parente ou amigo ferido.
- Procurei por muito tempo, inutilmente, um trabalho, e acabei decidindo vender o meu sangue uma vez por semana - relatou ao jornal Al Watan Nazar Abbas, de 32 anos. Segundo ele, por uma sacola de plasma os intermediários pagam de US$ 15 a US$ 20.
- Muitas famílias que estão prontas para pagar o que for preciso para obter o sangue necessário para algum parente - diz Abbas.
Algumas vezes, os mediadores negociam dentro das salas de cirurgia, oferecendo a 'mercadoria' a parentes angustiados. Em muitos casos, são os cirurgiões ou enfermeiros que aconselham as pessoas a procurarem os ''bancos de sangue privados''.
- Diante do aumento da violência, nossas salas operatórias estão cheias de feridos. O ministério da Saúde lançou um apelo para as pessoas doarem sangue, mas nunca é suficiente, e assim os profissionais têm de mandar as pessoas para os bancos - relatou o médico do hospital Karama, Uday Khalid.
Além das questões éticas, o fenômeno suscita fortes preocupações sanitárias, pelo fato de o comércio ocorrer fora de qualquer tipo de controle e poder potencialmente transmitir doenças graves. Segundo Adel Hussein, inspetor do ministério da Saúde, as autoridades tentam impedir o comércio prendendo os mediadores, que ''freqüentemente recrutam tóxico-dependentes ou alcoólatras para doar sangue''. - Já recebemos bolsas com sangue contaminado - emendou. (ANSA)
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