Luiz Carlos da Costa, que ocupa o mais alto posto dentre os brasileiros que trabalham no secretariado-geral da ONU, em Nova York, afirma que a instituição, que completa 60 anos em outubro, está longe de ser irrelevante como afirmam os críticos.
- A ONU só perderá a relevância quando prevalecer a opinião de que é um instrumento a serviço da política externa de um ou mais Estados membros - disse o diretor Logístico do escritório de Suprimentos do Departamento de Manutenção da Paz da organização.
Para Costa, qualquer um que caracterizar a ONU como anacrônica ''deve antes analisar as decisões individuais de cada país-membro''.
- É certo que encontrarão pontos críticos. Mas afirmar que a ONU é irrelevante seria um injustiça - afimou.
Segundo ele, a invasão do Iraque em 2003, liderada pelos EUA e não autorizada pelo Conselho de Segurança ''provocou desilusões''. Mas quando Washington procurou criar uma estrutura iraquiana para administrar o país, os americanos se voltaram para as Nações Unidas.
O brasileiro disse ao JB que a ONU está passando por uma renovação, e não por uma aposentadoria.
- O maior desafio da ONU é atuar com eficiência na globalização - disse Costa.
De acordo com Costa, a ONU se confronta com uma dupla realidade: há uma demanda maior das operações de paz no mundo, mas também um aumento na complexidade das missões.
- Precisamos melhorar nossa capacidade em acessar situações de conflito, além de gerir de forma eficaz as nossas intervenções - diz o funcionário.
O Departamento de Operações de Manutenção da Paz administra mais de 75 mil militares e polícias civis internacionais e locais.
- Tudo isto implica em orçamentos adicionais - afirma.
De acordo com Costa, a ONU tem feito sistemáticos apelos aos países-membros para que se empenhem na construção da paz.
Apesar de o Brasil ter uma representação limitada na ONU, está entre os dez que mais contribuem com o orçamento regular da instituição, com uma verba anual superior a US$ 23 milhões.
- Sob o ponto de vista militar, o país contribui com a ampla participação de tropas em áreas de conflitos - diz Costa.
Os militares brasileiros tiveram participação em missões de estabilização no Timor Leste, na Croácia, na Macedônia, na Nicarágua, em El Salvador, na Guatemala e na antiga Iugoslávia.
Atualmente, o País lidera a força de paz da ONU no Haiti.
- Essas ações explicam a valorização do soldado brasileiro na ONU - afirma Costa. - O problema do Haiti é a pobreza e o colapso das instituições, que incitam a atuação dos grupos armados. O Brasil tem pedido sistematicamente a liberação de fundos que permitam recuperar a economia e melhorar a qualidade de vida da população haitiana - completa.