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Castigo de príncipes é visitar Auschwitz


LONDRES - Até o príncipe William vai entrar no ''castigo'' preparado pelo príncipe Charles para ensinar ao caçula, Harry, os males do nazismo. Os dois herdeiros da Coroa Britânica, filhos da falecida princesa Diana, serão obrigados a fazer uma visita particular ao campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Harry, de 20 anos, provocou a ira de britânicos e da comunidade judaica no mundo ao vestir uma fantasia de nazista no aniversário de 22 anos de William, no fim de semana. A foto do príncipe rebelde foi parar na capa do tablóide inglês The Sun. Mas seu irmão mais velho, conhecido por ter um pouco mais de juízo do que o caçula, sabia que Harry iria fantasiado de soldado nazista. Inclusive, teria ajudado-o a escolher a roupa.

Agora, o pai deles, o príncipe Charles, ordena que ambos visitem o campo de Auschwitz, que no dia 27 comemora 60 anos de libertação nazista. A viagem, segundo o Sun, teria um tom de ''desculpas'', já que a família real afirma que o pedido de perdão oral de Harry, exigido por organizações judaicas, não vai ocorrer.

- Achamos que o príncipe já se desculpou com a nota de quarta-feira, na qual inclusive pede perdão se seu ato tiver ofendido alguém - disse um porta-voz de Clarence House, a residência oficial dos herdeiros. - Não está prevista nova intervenção a este respeito.

Fontes reais também negam que os príncipes irão à Polônia com a delegação britânica que participará das cerimônias de comemoração da libertação de Auschwitz, no fim do mês. O Sun, entretanto, garante que os jovens visitarão o campo ''em um futuro próximo'', com uma organização judaica. Já a Clarence House assegura que não há nenhum plano de viagem no momento e que uma eventual ida a Auschwitz será privada.

A Comissão de Judeus Britânicos contou que não foi contactada pela Coroa, mas considera apropriada a possibilidade de uma visita.

- Esperamos que o príncipe Harry esteja preparado para receber educação sobre o Holocausto - disse o porta-voz.

O regime nazista de Adolf Hitler matou 6 milhões de judeus e milhões de outros grupos étnicos e sociais, como ciganos, socialistas e homossexuais. Outras milhões de pessoas foram obrigadas a trabalhar em campos de concentração.

A imprensa britânica execrou a atitude do nobre. O tablóide Daily Star fez o trocadilho: ''Harry, o bobo da corte''. Até o The Times, jornal da situação, criticou o príncipe: ''Ele faz parte de um grupo dúbio de jovens auto-indulgentes, que aparentemente estão contentes com uma vida privilegiada e sem propósito''.

Mas há também quem defenda Harry. A duquesa de York, Sarah Ferguson, qualificou-o como ''um homem muito bom''.

O escândalo poderia ser ainda pior. Segundo o Sun, Harry tinha escolhido primeiro o uniforme preto da SS - a brutal tropa hitleriana que administrava os campos de concentração.


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[15/JAN/2005]


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