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EUA ligam socorro a terror

Powell admitiu que ajuda americana serve também para aplacar ''insatisfação''

JACARTA - Em visita à Tailândia, Sri Lanka e Indonésia, os três países asiáticos mais atingidos pelo maremoto que matou quase 165 mil pessoas, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, admitiu esperar que a ajuda americana às vítimas do tsunami fortaleça a segurança dos EUA e da Ásia, evitando qualquer tipo de descontentamento que descambe para o terrorismo. Mas acrescentou que o auxílio de Washington - que enviou à região dinheiro, soldados, navios, helicópteros e aviões - é feito por questões humanitárias.

- Esperamos que com este reforço as pessoas vejam que os EUA não são uma nação antiislâmica, estão comprometidos em ajudar os pobres, aqueles que não são capazes de educar suas crianças, aqueles que procuram por emprego e precisam de um país que seja baseado na lei e na ordem - discursou o chefe da diplomacia, após um encontro com o ministro de Relações Exteriores da Indonésia, Hassan Wirajuda, em Jacarta. - Cremos que este seja o interesse dos países devastados e que elimine bolsões de insatisfação que podem levar à atividade terrorista.

A Indonésia foi golpeada por uma série de ataques a bomba, imputados à Jemaah Islamiah, um organização do Sudeste da Ásia ligada à Al Qaeda, de Osama bin Laden. No mais grave, 202 pessoas - a maioria turistas estrangeiros - morreram em Bali, em 2002.

Com a decisão de enviar Powell e o governador da Flórida, Jeb Bush (irmão do presidente George Bush), a Casa Branca tem a esperança de melhorar sua imagem frente ao mundo, depois das críticas que recebeu pelo comprometimento de apenas US$ 35 milhões para auxílio às vítimas do tsunami. Washington cedeu e aumentou o orçamento para US$ 350 milhões.

Ontem, antes de ir para a Indonésia, o secretário esteve na Tailândia, para acompanhar os trabalhos de ajuda humanitária em Bangcoc e visitar a ilha de Phuket, devastada pelas ondas. Na agenda de hoje está prevista uma viagem à província indonésia de Aceh, marco zero do terremoto de 9 graus na escala Richter, que gerou o maremoto. Depois, ele volta para Jacarta, onde amanhã se reúne com líderes mundiais - como o primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi, o premier chinês Wen Jiabao e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan - para uma conferência de doadores. A meta é arrecadar US$ 2 bilhões para emergência e reconstrução dos 10 países atingidos.

Segundo Powell, os EUA consideram suficientes, por enquanto, os US$ 350 milhões de seus cofres destinados à Ásia. O secretário rejeitou a idéia de desenvolvimento de um novo ''Plano Marshall'', que depois da Segunda Guerra Mundial ajudou a Europa a se reconstruir, mas confirmou que militares de seu país assumiram o comando das operações de entrega de ajuda humanitária. Mais de mil soldados e pilotos participam da distribuição, que é feita por helicópteros militares. Um navio-hospital com mil leitos também foi deslocado para a área afetada.

As autoridades em Jacarta vão estudar ainda a criação de um sistema regional de alerta para maremotos. Diante de um desastre desta proporção, a população mundial tem se mostrado solidária. Tanto que a organização Médicos Sem Fronteiras, numa atitude inédita, pediu às pessoas que parem de enviar doações em dinheiro. A ONG declarou já ter o montante necessário para desenvolver todos os seus projetos de socorro no Sri Lanka e na Indonésia.

Mesmo assim, o trabalho promete ser árduo. Em vários lugares as pessoas apresentam algum tipo de doença. Segundo a ONU, casos de pneumonia, diarréia, malária e doenças de pele infecciosas já apareceram em Aceh. Outras pessoas estão com gangrena, por terem ficado com os ferimentos expostos à água contaminada de esgoto e decomposição de cadáveres. A água do mar e o esgoto também se infiltrou em muitos poços.

Outro problema no Sri Lanka é que a chuva torrencial que cai há dois dias dificulta o trabalho de socorro e alaga acampamentos de refugiados, que estão com água pelos tornozelos.

- As crianças estão ficando doentes. Com toda essa água, os banheiros ficaram com defeito - contou Savaguru Puvaneswaran, que está numa escola com outros 1.500 sobreviventes.

A Organização Mundial de Saúde estima que haja 500 mil pessoas precisando de tratamento médico em seis nações. Teme-se também que doenças como malária e cólera possam se tornar uma epidemia que vai atingir 5 milhões de desabrigados.

''É uma corrida contra o tempo'', resumiu a organização.


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[05/JAN/2005]


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