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Epidemias: próxima ameaça


Claudia Bojunga

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou ontem que as epidemias conseqüentes do maremoto no Oceano Índico podem causar tantas mortes quanto os próprios tsunamis.

– O terror imediato do maremoto pode ser pequeno diante do sofrimento a longo prazo nos países afetados, em que o risco de epidemias é muito alto– alertou o representante do diretor-geral da OMS para a crise, David Nabarro.

– Nossa maior preocupação é a falta de água potável ou a contaminação das águas pelo derramamento de esgoto no sistema de distribuição.

Roberto Mendronho, médico e professor de epidemiologia da UFRJ, explica que em uma calamidade como essa, as principais doenças tem veiculação hídrica, isto é, são transmitidas pela água; como a diarréia e a cólera. De acordo com o médico, outras doenças que também podem se espalhar por essas populações da Ásia são a leptospirose, transmitida por uma bactéria da urina do rato e a hepatite A, em que uma das formas de contágio é por fezes contaminadas.

– A água do mar destruiu o sistema de esgoto e as pessoas, muitas vezes, mergulham nessas águas contaminadas para procurar familiares e pertences– diz Medronho

Os mais expostos a esses males são os que estão desabrigados e não têm condições de higiene. Segundo Medronho, deve se tomar medidas de precaução com relação à água a ser bebida, que deve ser pingada com cloro, e também na preparação dos alimentos quando os utensílios utilizados e as mãos devem ser bem lavados.

Para David Nabarro, da OMS, há um sério risco de uma devastadora epidemia de malária e dengue, já endêmicas no Sudeste asiático. As pessoas estão tendo que armazenar água, o que pode propiciar a proliferação dos mosquitos transmissores.

– Só a água doce é depositário de ovos, a água do mar não é. – afirma Medronho.

Infecções agudas respiratórias, mais conhecidas como resfriados também podem atingir um grande número de pessoas, que se não forem tratadas podem contrair pneumonia, chegando até a morte.

Segundo Nabarro, para evitar uma catástrofe de saúde comparável ao desastre natural, é preciso providenciar água e assistência médica o mais rápido possível aos países afetados.


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[29/DEZ/2004]


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