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Ongs pedem união contra venda de armas

Anistia e Oxfam querem assinatura de tratado internacional

LONDRES - A Anistia Internacional, a Oxfam e as organizações não-governamentais e de direitos humanos pediram ontem em Londres a adoção de um tratado internacional sobre o comércio de armas, a fim de evitar a chegada delas a países em guerra ou não democráticos.

As duas organizações, muito influentes no mundo, lançaram uma campanha global no centro da capital inglesa. A famosa Trafalgar Square foi transformada num cemitério, com 300 lápides com o epitáfio ''Morto pelo Comércio de Armas''. Segundo a Anistia, pelo menos 500 mil pessoas morrem por ano, vítimas de disparos.

Um novo relatório indica que a compra e venda de armas no mundo ''está perigosamente desregulada'' e que as leis vigentes contêm brechas que permitem a venda a criminosos e a governos repressivos. É um mercado que movimenta US$ 21 bilhões anuais apenas se consideradas as transações lícitas.

Mais de 630 milhões de armas circulam no mundo - uma para cada dez pessoas. A maioria está concentrada nos países pobres e 60% do total pertencem a civis.

AI e Oxfam pediram ao governo do Reino Unido, o segundo maior país exportador de armas no mundo, que dê exemplo e assine o tratado, que conta com o apoio de 19 prêmios Nobel da Paz. Não será fácil: os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - além da Grã-Bretanha, Rússia, França, China e Estados Unidos - respondem por 88% das exportações de armas convencionais.

''Dos grupos armados do Rio de Janeiro e Los Angeles às guerras civis da Libéria e da Indonésia, as armas estão fora de controle'', diz o documento da Anistia, intitulado Vidas Despedaçadas. Pelo levantamento, as reservas de armamento leve crescem 8% a cada ano. Só em munição, são fabricadas 16 bilhões de unidades anualmente.

No caso do Brasil, segundo a Anistia, parte dos 300 mil assassinatos que ocorreram no país nos últimos dez anos poderia ter sido evitada se houvesse um controle maior do acesso às armas. A organização estima que os países da América do Sul, África, Ásia e Oriente Médio gastem US$ 22 bilhões por ano com a indústria bélica.


[10/OUT/2003]


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