Vice-primeiro-ministro israelense admite que governo considera o assassinato do líder palestino para removê-lo do poder
JERUSALÉM -
O vice-primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, considerou ontem que o assassinato do presidente palestino, Yasser Arafat, é uma opção para sua remoção do poder. Os Estados Unidos imediatamente se manifestaram contra a idéia, dizendo que a ação ''desencadearia o ódio em todo o mundo árabe''.
O principal negociador de paz palestino, Saeb Erekat, afirmou que a morte de Arafat por Israel inflamaria as milícias palestinas, que poderiam se voltar contra líderes moderados como ele.
- Provavelmente a primeira coisa que fariam seria invadir minha casa e me assassinar. E fariam o mesmo com todos os líderes palestinos moderados.
Olmert, um personagem importante da equipe do primeiro-ministro, Ariel Sharon, afirmou à rádio militar Galei Tzáhal ontem que ''a morte [de Arafat]é definitivamente uma das opções para sua deposição do poder''.
- Nós estamos tentando eliminar todas as cabeças do terror, e Arafat é uma delas - disse Olmert, baseado na decisão de quinta-feira passada do Gabinete de Segurança israelense, que definiu Arafat como um ''obstáculo à paz'' que deve ser removido.
O também ex-prefeito de Jerusalém afirmou que, ''para o governo de Israel, Arafat passou a ser uma personalidade desnecessária e sacrificável''.
Israel, que é apoiado pelos Estados Unidos, culpa o ex-líder guerrilheiro Yasser Arafat, de 74 anos, de fomentar a violência de uma revolta palestina que já dura dois anos pela independência na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Arafat nega a acusação que o tem mantido confinado por 21 meses em seu quartel-general semidestruído na cidade de Ramala, na Cisjordânia.
O Gabinete de Segurança não informou quando ou como sua ameaça seria confirmada, mas a decisão gerou manifestações internacionais de repúdia e apoio a Arafat.
Milhares de palestinos saíram às ruas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza no sábado para demonstrar o apoio a Arafat. Ontem, as manifestações se espalharam por outras nações árabes, chegando até a distante Indonésia, maior país muçulmano do mundo.
O secretário de Estado do EUA, Colin Powell, condenou as declarações de Olmert, que também é ministro de Indústria e Comércio.
- Acho que é possível antecipar o ódio que essa ação causaria por todo o mundo árabe. Os Estados Unidos não apoiam a morte de Arafat ou o seu exílio da Palestina. O governo israelense sabe disso.
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, em visita oficial à França, disse que um ataque israelense à vida de Arafat seria um erro.
- Ele também é um líder espiritual. Qualquer decisão que envolva Arafat deve ser tomada com muito cuidado. Mas eu aviso aos palestinos: não dêem motivos para que os israelenses os ataquem.
Erekat, em entrevista à Rádio do Exército, disse que se Israel assassinar Arafat, as milícias palestinas atacariam cidades administradas pela Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Em mais um surto de violência, soldados israelenses atiraram e mataram, na noite de ontem, o palestino Ahmed Abu Latifi, de 11 anos, que havia entrado na área do aeroporto Atarot, ao norte de Jerusalém.