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Lula decreta luto oficial de três dias

Presidente diz que Sérgio Vieira de Mello foi vítima da insanidade do terrorismo e pede um minuto de silêncio

AFP
Celso Amorim e o presidente Lula

O ministro Celso Amorim comunica a morte ao presidente Lula

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve a confirmação da morte de Sérgio Vieira de Mello, em um atentado contra a sede da ONU em Bagdá, durante entrevista na Granja do Torto, ao lado do presidente do Chile, Ricardo Lagos. Lula decretou luto oficial de três dias.

- Eu queria pedir um minuto de silêncio em homenagem ao brasileiro que foi vítima da insanidade do terrorismo - convocou Lula.

Antes da entrevista iniciar-se, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia alertado o presidente de que a situação no Iraque era delicada. O semblante de Lula mudou e, por instantes, ao lado do presidente chileno, parecia não saber o que fazer, ou como reagir. Lula foi cauteloso em não anunciar nada antes da confirmação da morte do enviado especial da ONU ao Iraque. Mas condenou o ataque à sede das Nações Unidas, na capital iraquiana.

- Quero condenar o terrorismo, que acaba de praticar mais uma ação no Iraque - criticou Lula.

O presidente do Chile, Ricardo Lagos, expressou sua admiração pelo brasileiro e contou que o conheceu no Timor Leste, quando foi visitar as tropas chilenas que estavam naquele país. Para Lagos, a morte de Sérgio é, ''um sinal trágico dos nossos tempos''.

Bastante transtornado, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, classificou a morte de Vieira de Mello como uma perda irreparável.

- Ficará na memória de todos sua luta pela defesa da paz e pelos direitos humanos - acrescentou o ministro.

Amorim chegou a trabalhar com Sérgio, na época em que era embaixador do Brasil na ONU. Durante esse período, viu o amigo ser alçado ao posto de subsecretário para assuntos humanitários.

O assessor especial do governo para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, lembrou que Sérgio Vieira de Mello foi escolhido para o posto de representante da ONU no Iraque em virtude da sua extrema competência. E lamentou:

- Foi um ato insano. Ainda mais se pensarmos que o objetivo da ONU é manter a paz no mundo - concluiu.


[20/AGO/2003]


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