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Destruição de estátuas deixa autor desolado

Iraquiano que mora na Itália diz que atos são ''infantilidade''

ÓSTIA, Itália - O escultor responsável por algumas das grandiosas estátuas de Saddam Hussein destruídas por simpatizantes dos EUA no Iraque está indignado. Para o iraquiano Ali al Jabiri, que mora em Óstia, na Itália, a destruição das imagens não passa de ''infantilidade''.

- Por que derrubar monumentos? É como uma vingança de criança, - protesta Al Jabiri. - Mas não estou chateado. Continuarei a fazer estátuas, mesmo que sejam destruídas.

Al Jabiri foi para Itália há 30 anos, para estudar na Academia de Belas Artes de Roma. Mora em Óstia, a Oeste da capital italiana, e, pelo menos até este ano, voltava a Bagdá três vezes por ano, para discutir e executar projetos de esculturas para o governo de seu país. Muitas das obras retratavam o presidente.

- Projetei muitas estátuas de Saddam Hussein - conta, sem remorso. - Não é um pecado. Contribui para a modernização de sua imagem, eliminei a espada de suas mãos e o tirei de cima do cavalo. Vivemos numa era de aviões e computadores. Era necessário retratá-lo como um soldado, com uma pistola e um rifle.

Segundo ele mesmo, sua obra-prima foi a grande estátua que, até o dia 9 de abril, podia ser vista na Praça Al Fardous, no Centro de Bagdá. A imagem de Saddam com uma das mãos para o alto fora inaugurada há menos de um ano e as cenas de sua queda foram mostradas ao vivo, para todo o mundo, por redes de TV. Sua derrocada acabou por simbolizar o fim do regime de Saddam Hussein.

- Me lembro de pedir às autoridade que a fizessem bem sólida, usando bronze e aço por dentro, para que nem a mais forte bala de canhão pudesse derrubá-la - conta o escultor, sem esconder o orgulho.

A solidez da estátua feita por al Jabiri pôde ser confirmada depois que um grupo de iraquianos passou horas tentando derrubá-la com marteladas e cordas para, finalmente, pedir ajuda a um blindado americano. (Peter Popham, The Independent)


[20/ABR/2003]