Alto preço dos exames é barreira

Grupo de Oviedo é contrário às escavações

A luta pela exumação de corpos das vítimas da Guerra Civil não é unânime entre os parentes dos chamados ''desaparecidos'' após 25 anos da volta da democracia.

Membros da Associação de Parentes e Amigos da Fossa Comum de Oviedo (Afafco) acham que esta não é a melhor maneira de ''buscar a História e perpetuar a lembrança''.

- Tirar os corpos das fossas e levá-los a outros túmulos individuais é a melhor maneira de fechar uma página de nossa história que deve estar sempre aberta - diz Herminio García-Riaño, presidente do grupo.

Apesar de alguns exames de DNA atualmente estarem sendo feitos de graça pelo professor de medicina legal José Antonio Lorente - que também atuou na identificação de vítimas do regime de Augusto Pinochet - a maioria deles deverá ser cobrada. E seu alto preço também é motivo de preocupação para o grupo, que afirma que cada uma das análises custa US$ 3 mil.

- Se considerarmos que há cerca de 30 mil corpos em fossas comuns no país , quem vai arcar com tanto dinheiro?

Em Oviedo, capital de Astúrias e sede da associação, se localiza a fossa comum que acredita-se ser a maior da Espanha. Cerca de 1.300 guerrilheiros republicanos foram enterrados nela, mas há quem diga que este número pode chegar a 1.700.

Os que defendem a manutenção das fossas comuns reconhecem, no entanto, a dificuldade de se obter informações a respeito delas.

- Muitas pessoas me procuram dizendo: ''Meu parente desapareceu nos montes de Astúrias no mês tal do ano tal. Como posso saber onde foi enterrado?'' A minha resposta é: ''Impossível saber'' - conta o presidente da Afafco.

A associação defende a localização, delimitação e identificação das fossas, e constantemente faz homenagens com placas e memoriais às vítimas da guerra.

- Com a exumação, o que faríamos com os corpos que não foram reclamados por ninguém? Seriam enterrados num buraco sem nome? Devolvidos a uma fossa comum destroçada? - questiona García-Riaño. - Que nenhuma vítima do fascismo acabe numa tumba sem nome. Não seria justo. (J.S.)

[23/FEV/2003]

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